Saúde Nova técnica de controle do Aedes aegypti no Recife

Publicado em: 10/06/2019 11:49 Atualizado em: 10/06/2019 13:05

Nova técnica foi desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz. 700 Estações Disseminadoras de Larvicidas. Credito: Fiocruz/Divulgação
Nova técnica foi desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz. 700 Estações Disseminadoras de Larvicidas. Credito: Fiocruz/Divulgação
O Recife vai adotar mais uma técnica para controle do mosquito Aedes aegypti – transmissor da dengue, chikungunya e zika. O projeto da Fiocruz Amazônia, em parceria com a Prefeitura do Recife e o Ministério da Saúde, consiste na instalação de cerca de 700 Estações Disseminadoras de Larvicidas (EDs), que são armadilhas em que os próprios mosquitos espalharão o inseticida nos criadouros. O lançamento foi nesta segunda no Centro de Vigilância Ambiental (CVA), em Peixinhos.
 
Os agentes de Saúde Ambiental e Controle de Endemias (Asaces) da Secretaria de Saúde do Recife serão treinados hoje e amanhã pela Fiocruz Amazônia, que desenvolveu o projeto, sobre os procedimentos de instalação e manutenção das EDs, assim como aprenderão os procedimentos de registro de dados e informações. Na quarta (12), os profissionais vão a campo para fazer a instalação das primeiras armadilhas.
 
A equipe de pesquisas da instituição, administrada pelo Ministério da Saúde, desenvolveu uma espécie de armadilha para o mosquito Aedes aegypti, que transmite a dengue, zika e chikugunya. As chamadas Estações Disseminadoras de Larvicidas são compostas por um pote com água, coberto por um pano preto e com um produto químico na superfície. Chamada pelos pesquisadores de “armadilha”, o item faz com que o mosquito pouse para tentar colocar os ovos, e ao tocar o pano, entra em contato com o larvicida. A boa notícia é que partir daí, ao ir para outros criadouros, o inseto leva o veneno consigo e contamina as larvas que estiverem no local. Dessa forma, se reduz a proliferação do Aedes aegypti.
 
Segundo Sérgio Luz, pesquisador da Fiocruz Amazônia, o trabalho foi baseado em um projeto científico japonês de 2009, que apontava que o mosquito era capaz de carregar o larvicida para outros lugares. A partir daí, as pesquisas se intensificaram, até que houve o primeiro teste em Manacapuru, na região metropolitana de Manaus, com mil estações. Os resultados, segundo ele, foram positivos. O pesquisador ressalta, contudo, que as estações são mais uma forma de combate ao mosquito, além daquelas já adotadas.
 
“Não existe nenhuma solução única para o controle de doenças transmitidas por vetores, sejam mosquitos, barbeiros. Isso é uma coisa bem clara. As medidas de controle precisam ser integradas, então as armadilhas cumprem um papel muito importante no combate ao vetor. Achando esses locais que muitas vezes são impossíveis de você identificar, ou que são impossíveis de você chegar pelas dificuldades que são colocadas, como casas e terrenos abandonados, áreas inacessíveis. Então, as estações têm um papel importante, as medidas de controle normais precisam continuar sendo feitas e as armadilhas precisam entrar como uma ferramenta a mais no controle.”
 
Atualmente, há armadilhas desse tipo em cinco cidades do Amazonas, e em outras seis do Brasil: Natal, Fortaleza, Goiânia, Belo Horizonte, Marília e Recife. Sérgio Luz lembra ainda que as amostras são pequenas e passam por testes periódicos, junto às secretarias municipais e estaduais para acompanhar resultados e o desenvolvimento do projeto.
 
A armadilha pode ser mais uma aliada no combate ao mosquito da dengue. No início desta semana, o Ministério da Saúde divulgou um boletim atualizado com os números de casos de cada doença transmitida pelo Aedes. Segundo o Ministério, os casos de dengue subiram 264,1% no país, ultrapassando os 229 mil casos até 16 de março. Tocantins, Acre e Mato Grosso do Sul foram os estados com os maiores índices de casos a cada 100 mil habitantes. 
 
Foram registrados 2.062 casos de zika no Brasil em 2019, bem acima dos 1.908 registrados no mesmo período do ano passado. No caso da chikungunya, são mais de 12 mil casos em 2019, abaixo dos mais de 23 mil registrados em 2018, uma queda de 44%.(Fiocruz e Secretaria de Saúde do Recife) 

 
BRIGADAS

A guerra contra o mosquito une várias frentes. Em todo o país o aumento de 264% nos casos de dengue já resultou em mais de 229 mil pacientes este ano. As ações de combate ao Aedes aegypti estão sendo realizadas também pela Vigilância Ambiental do Recife para evitar nova epidemia de arboviroses. 
 
Com o objetivo de prevenir a infestação do mosquito, foi implantada, no último dia 6,  a primeira brigada de monitoramento em uma unidade pública de ensino, a Escola Municipal Luiz Vaz de Camões, no bairro do Ipsep, na Zona Sul do Recife, recebeu atividades da Secretaria de Saúde (Sesau) com orientações sobre como evitar formação de focos.

Cerca de 20 estudantes do 6° ano participam do monitoramento. Desses, três estão dedicados à pesquisa de doenças endêmicas no Recife para uma feira e conhecimentos, que acontece no próximo mês de agosto. Para professora de Ciências, Viviane Barbosa, as atividades despertam a conscientização por parte dos estudantes e de toda a comunidade que integra a escola. “Temos dificuldade em trabalhar na prática as questões das arboviroses por falta de materiais e até mesmo informações corretas. Através desta brigada vamos poder realizar atividades para acompanhar o desenvolvimento do mosquito, entendendo o que a comunidade pode fazer para diminuir a proliferação dos vetores”, comentou a docente.
 
A partir das armadilhas de monitoramento implantadas em diferentes pontos da escola, é possível retirar cerca de 1 mil ovos de Aedes aegypti. As armadilhas não se tornam foco do mosquito por conter larvicida biológico. Agentes de saúde ambiental realizam inspeção a cada 15 dias para garantir o funcionamento correto. Já foram implantadas mais de 150 brigadas e 150 ovitrampas, com 760 brigadistas treinados pela Vigilância Ambiental da cidade. Durante as atividades, grupos formados por instituições

Para solicitar a visitação da Vigilância Ambiental e saber se é possível a instalação de uma brigada contra o Aedes aegypti em residências ou instituições, basta pedir a realização de um diagnóstico de visita, ligando para a Ouvidoria Municipal de Saúde através do telefone 0800 281 1520.

Números
 
No período entre os dias 30 de dezembro de 2018 a 1° de junho de 2019, foram notificados na cidade do Recife 1.538 casos de arboviroses, sendo 1.295 casos de dengue, 200 de chikungunya e 43 de zika. Dentre estas notificações, foram confirmados 429 casos de dengue, 32 de chikungunya e 4 de zika. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve uma redução de 9,9% dos casos notificados e de 32,6% dos casos confirmados.
 
Quanto aos óbitos por arboviroses na capital, foram notificados sete óbitos suspeitos. Destes, três foram descartados para arboviroses e quatro permanecem em investigação. No mesmo período do ano anterior, foram notificados e descartados dois óbitos. Em todo o ano de 2018, 10 óbitos suspeitos de arboviroses foram notificados, sendo nove descartados e um confirmado para dengue.
 
Em todo o estado de Pernambuco, 76 municípios estão em situação de risco de surto e 86 municípios em situação de alerta. Em todo estado, até a primeira semana deste mês de junho foram confirmados 4.371 casos de dengue, 150 casos de chikungunya e 36 de zika. Em comparação ao mesmo período do ano anterior, houve um aumento de 210,5% de notificações de zika, 83,8% de chikungunya e 85,5% de dengue. Até o dia 1° de junho foram notificados 41 óbitos pelas arboviroses.

Dengue
Notificados: 23.592
Confirmados: 4.371
Descartados: 4.655

Chikungunya
Notificados: 3.229
Confirmados: 150
Descartados: 1.155

Zika
Notificados: 1.779
Confirmados: 36
Descartados: 849

Fonte: Secretaria de Saúde de Pernambuco.


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