Educação 'Saber conviver é a habilidade de aprender'

Publicado em: 09/06/2019 10:07 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Facebook
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Eduardo Shinyashiki é palestrante, consultor organizacional, escritor, conferencista nacional e internacional, especialista em desenvolvimento das competências de liderança organizacional, educacional e pessoal e em neurocoaching. Mestre em neuropsicologia e liderança educadora, Eduardo tem se dedicado a desenvolver o poder pessoal para gerar realização pessoal e profissional através da expansão das competências de liderança, comunicação e inovação, criando novas realidades e resultados. Especializou-se no estudo dos aspectos emocionais, mentais e físicos com os profissionais mais renomados nos Estados Unidos, Europa, América do Sul, México e Índia.

Hoje, a maior parte do sistema educacional foca nas habilidades cognitivas relacionadas apenas ao raciocínio intelectual. A BNCC- Base Nacional do Currículo Comum vem trazendo a obrigatoriedade do ensino das Habilidades Socioemocionais. O senhor acha que os gestores e professores estão preparados, uma vez que a formação acadêmica desses profissionais ainda não estava preparada para essa nova realidade?

A BNCC veio a confirmar uma necessidade de muito tempo. É importante pensar em um contexto educativo que possa unir os aprendizados onde aspectos cognitivos e relacionais se integrem para facilitar a compreensão do significado da vida na sala de aula, no cotidiano e no convívio social, reconhecendo que além do estudo de todas as disciplinas, o aluno precisa adquirir e solidificar as competências pessoais, comportamentais e éticas. O mundo profissional em geral não está preparado para o universo das competências socioemocionais. Os conflitos vividos em todos os âmbitos da nossa sociedade confirmam isso e consequentemente a importância da BNCC ser implementada nas escolas. É fundamental que o educador esteja apto a desenvolver as competências socioemocionais em seus alunos. Ou seja, é na educação que está a base do desenvolvimento de qualquer ser humano. Os educadores necessitam desenvolver novas competências ou aprimorá-las. Afinal, o atual mercado de trabalho exige do aluno, além do conhecimento técnico, a valorização de competências como a flexibilidade, a autonomia, a responsabilidade, a autoconfiança, a capacidade de comunicação, o reconhecimento dos próprios sentimentos e dos outros, o intercâmbio de ideias e a cooperação para estarem prontos para fazerem a diferença no mundo. A minha visão para suprir essa lacuna na formação socioemocional dos professores é leva-los a vivenciarem e desenvolverem as próprias competências socioemocionais para terem ferramentas e recursos para produzirem tais resultados também em seus alunos, da educação infantil até o ensino médio.

Falamos muito sobre a importância de trabalhar valores humanos dentro das escolas, algumas competências e habilidades da BNCC vem provando a necessidade de atuar mais fortemente frente às mesmas. O senhor pode falar na importância de desenvolver essas habilidades para a integração da diversidade?

Como educadores, nos perguntamos quais as possibilidades de transmitir os valores humanos e desenvolver as dimensões fundamentais do indivíduo e do cidadão, no contexto familiar, escolar e social. A BNCC nos confirma essa importância. Claro que o tema é vasto e complexo, todavia, podemos ter presente alguns elementos importantes de reflexão quando pensamos em fortalecer o caminho da convivência e da integração da diversidade: Ressaltar a centralidade da pessoa, no sentido de promover o desenvolvimento da valorização do ser humano, através de um percurso de respeito pela pessoa, da sua individualidade, da sua cultura, etnia, relações familiares e sociais; favorecer no aluno a busca da própria identidade, orientá-lo para fortalecer as próprias habilidades e talentos. Isso significa que estaremos ajudando este estudante a compreender as diferenças e o conceito de diversidade, no sentido amplo de cada um ver a realidade, dar significado às experiências e aos aspectos da vida; permitir ao aluno considerar as próprias ideias, opiniões e visão de mundo, não como um fator absoluto, mas como uma das possíveis maneiras de entendê-lo em um processo de compartilhar os significados, permitindo o desenvolvimento do raciocínio crítico, da habilidade de tomar decisões e promovendo o interesse para a colaboração e a cooperação. Saber conviver é a habilidade de aprender a viver junto dos outros,  com atitudes solidárias, cooperativas e construtivas, integrando e respeitando as diversidades e desenvolvendo um pensamento mais flexível, criativo e inovador, que leva à realização pessoal, mas também à cooperação, à possibilidade de ser fiel ao próprio potencial, qualidades e objetivos individuais, reconhecendo também os objetivos coletivos e o bem  comum.

Precisamos reestruturar os pensamentos, as atitudes e as ações dos professores em sala de aula frente a construção de conhecimento no que diz respeito às habilidades exigidas no novo mercado de trabalho, onde as mídias e tecnologias estão transformando as profissões. Como o Brasil tem se preparado para as demandas desse novo mercado?

A educação é um laboratório para os alunos se prepararem para viverem plenamente a  sua vida pessoal e profissional. Cada dia dentro da sala de aula é importante o desenvolvimento das competências de empreendedorismo, de tomada de decisão, de questionamento, de argumentação, de iniciativa, de domínio das emoções, da capacidade de comunicação e de relacionamento interpessoal. O Brasil e o mundo estão começando a compreender a importância para os jovens do desenvolvimento da autoestima, da autoconfiança, das habilidades para conhecer e lidar com as próprias emoções.


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