Surto Estado capacita rede de saúde sobre Doença de Chagas aguda

Publicado em: 07/06/2019 14:13 Atualizado em:

Crédito: OPAS
Crédito: OPAS

O número de casos confirmados de Doença de Chagas aguda em Pernambuco segue aumentando. O estado tem, até então, 28 pessoas sendo tratadas pela doença, dos quais 24 tiveram confirmação laboratorial e outros quatro apresentaram sintomas. Das 12 pessoas que foram internadas, contudo, a maioria já recebeu alta e cinco permanecem em observação hospitalar no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (Huoc). Ontem, o estado iniciou um curso para capacitação e discussão dos principais aspectos epidemiológicos sobre a doença. A ideia é fortalecer a rede do Sanar, programa de vigilância e controle das doenças negligenciadas, inclusive no que diz respeito à transmissão oral de Chagas.

De acordo com o último boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), dos 77 participantes do evento religioso onde teria ocorrido a infecção, 67 deles já fizeram coleta de sangue para análise. Até então, nenhum dos resultados foi descartado e todos os que já foram divulgados são de confirmações. Outras 10 pessoas já foram contatadas para realizar as coletas. Também já foi iniciada a montagem do quebra-cabeça principal, o que irá permitir descobrir se algum alimento levado para o local do evento teria causado o surto.

“Iremos entrevistar todos os participantes e catalogar o que todos eles comeram em todas as refeições do dia. É um trabalho minucioso e demorado. Por enquanto, já coletamos informações de metade dos 67 que fizeram a coleta de material para análise”, explicou a superintendente do Programa Sanar, Marcella Abath. Segundo ela, a secretaria também está percorrendo o caminho dos alimentos que foram adquiridos e manuseados, indo aos locais de compra e produção deles. “Estamos evitando dar muitas informações para evitar que as pessoas ainda não entrevistadas tenham a resposta influenciada”, disse.

O debate sobre Doença de Chagas com os profissionais da saúde faz parte do 1º Curso Básico de Vigilância de Doenças Relacionadas à Pobreza, que já estava agendado antes do surto da doença aguda. Diante do ocorrido, a programação referente à Chagas foi estendida para dois dias. Ontem, 25 profissionais discutiram a situação epidemiológica da doença,uma das oito monitoradas pelo Programa Sanar, com a participação do Ministério da Saúde. “Queremos ouvir experiências de outros estados, saber que alimentos estavam envolvidos em outros surtos”, disse Marcella Abath.

A meta é instruir as gestões municipais sobre os indicadores de acompanhamento da enfermidade para que os municípios possam desenvolver as ações certas em tempo oportuno. O Ministério da Saúde também será reportado, por meio de videoconferências, sobre o surto agudo em Pernambuco. Hoje no curso serão discutidos casos práticos de vigilância do vetor da doença, o triatomíneo, conhecido como inseto barbeiro. Outro curso deverá ser oferecido, provavelmente, no segundo semestre.

Atualmente, 22 municípios são considerados prioritários para Chagas no Plano de Enfrentamento às Doenças Negligenciadas e Relacionadas à Pobreza. Até 2022, espera-se implantar o assessoramento técnico da SES às gestões municipais e aos profissionais da atenção básica. “Esse surto mostra a importância de não esquecer da Doença de Chagas, de os municípios permanecerem com vigilância ativa, assim como mostra que a população pode participar fazendo a vigilância passiva do vetor”, lembrou Marcella Abath.



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