Educação UFPE, UFRPE e Univasf têm mais de 200 bolsas de pós-graduação da Capes cortadas

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 05/06/2019 20:46 Atualizado em: 05/06/2019 21:17

A UFPE teve, nessa terça-feira (4), 78 bolsas de pós-graduação - 63 de mestrado e 15 de doutorado - cortadas. Foto: Ricardo Fernandes/DP.
A UFPE teve, nessa terça-feira (4), 78 bolsas de pós-graduação - 63 de mestrado e 15 de doutorado - cortadas. Foto: Ricardo Fernandes/DP.
As universidades federais de Pernambuco perderam mais de 200 bolsas de pós-graduação desde que a limitação de verbas na educação foi adotada pelo governo federal. Nessa terça-feira (4), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) anunciou o bloqueio de mais 2.724 bolsas de mestrado e doutorado no país. O órgão, ligado ao Ministério da Educação (MEC), alegou que o bloqueio era necessário em função do contingenciamento de recursos da pasta.

O novo corte atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que perdeu mais 78 bolsas de pós-graduação; a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que teve mais 71 bolsas de mestrado e 32 de doutorado eliminadas, e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), com sede em Petrolina, Sertão do estado, que também deve ter bolsas cortadas. Ao todo, considerando os dois bloqueios, a UFPE e a UFRPE perderam 218 bolsas. A Univasf deve ter que suspender 18 bolsas, chegando a 236 bolsas cortadas no estado.

A UFPE teve, nessa terça, 78 bolsas de pós-graduação – 63 de mestrado e 15 de doutorado – cortadas pela Capes. A concessão do benefício atinge futuros pós-graduandos. Os atuais bolsistas não serão afetados. Na primeira suspensão, anunciada em maio, a UFPE perdeu 33 bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado. A redução no número desse benefício na universidade chegou a 111 este ano. No Brasil, já são 6.198 bolsas suprimidas em 2019.

No segundo corte feito pela Capes, foram afetados nove cursos, sendo dois de doutorado e sete de mestrado, ligados a sete programas de pós-graduação da UFPE: engenharia mecânica; saúde coletiva; fisioterapia; ciências geodésicas e tecnologias da geoinformação; saúde da criança e do adolescente; artes visuais, em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), e engenharia civil e ambiental.

O corte de bolsas na UFPE atingiu ainda o Núcleo de Línguas (Nucli), que abriu inscrições para os cursos de verão intensivos em idiomas. Não haverá oferta de cursos de inglês, uma vez que as bolsas Capes, que financiam os professores da língua, estão suspensas devido ao contingenciamento de gastos promovido pelo governo federal.

A Universidade Federal Rural de Pernambuco já havia perdido duas bolsas de mestrado e duas de doutorado dentre as que estavam temporariamente vagas para serem implementadas em maio deste ano. Na segunda fase dos cortes, a universidade perdeu mais 71 bolsas de mestrado e 32 bolsas de doutorado.

Já a Univasf não perdeu bolsas na primeira fase dos cortes, mas, considerando a metodologia da segunda etapa da redução, a universidade deve perder 18 bolsas.

Justificativa

A Capes afirmou que, nessa segunda etapa, foram bloqueadas as bolsas de cursos que foram avaliados consecutivamente com nota 3 ou que tiveram redução de nota 4 para 3. "O critério foi estabelecido com o propósito de alinhar a concessão de bolsas no país à avaliação periódica da Capes, preservando os cursos mais bem avaliados nos últimos 10 anos", informou o órgão em nota. Foram congeladas 2.331 bolsas de mestrado, 335 de doutorado e 58 de pós-doutorado, totalizando 2.724 bolsas. O congelamento não afetará nenhum bolsista que atualmente recebe o benefício da Capes.

A Capes realiza uma avaliação a cada quatro anos dos programas de pós-graduação stricto sensu (mestrados, doutorados e pós-doutorados), que recebem notas de 1 a 7. Avaliações na escala 1 e 2 têm as autorizações de funcionamento e o reconhecimento dos cursos de oferecidos cancelados. Já a nota 3 significa desempenho regular, atendendo ao padrão mínimo de qualidade do órgão.

UFPE

A Universidade Federal de Pernambuco tem três campi (Recife, Caruaru e Vitória de Santo Antão), 105 cursos de graduação, 133 cursos de pós-graduação, 30,6 mil alunos de graduação, 12,7 mil alunos de pós-graduação, 2,8 mil professores e 4,1 mil servidores técnico-administrativos. A instituição ficou em 20º lugar entre as universidades brasileiras classificadas no ranking 2019 do Times Higher Education (THE) de países considerados de economia emergente (Emerging Economies University). A UFPE está no intervalo 301–350 entre todas as instituições do mundo. Os resultados mostraram que a UFPE melhorou nas dimensões de ensino e visibilidade internacional.

UFRPE

A Universidade Federal Rural de Pernambuco, de acordo com o Relatório de Gestão 2017 da instituição, tem 12.964 estudantes, sendo 11.345 de graduação e 1.619 de pós. A UFRPE tem 1.138 professores e 1.940 funcionários. Levando em consideração todas as universidades públicas (federais e estaduais), a UFRPE ficou, em 2018, na 27ª melhor classificação no ranking do Índice Geral de Cursos (IGC/MEC). Ao todo, 2.083 instituições de ensino superior foram avaliadas pelo MEC. A UFRPE ocupa o posto de 77º no ranking geral, que inclui além das universidades, centros universitários, faculdades, institutos, entre outras instituições públicas e privadas.

Univasf

A Universidade Federal do Vale do São Francisco está presente em três estados: Pernambuco, Bahia e Piauí. Os primeiros campi foram implantados em Petrolina, sertão pernambucano; Juazeiro (BA) e São Raimundo Nonato (PI). Em seguida, a universidade se estabeleceu em Senhor do Bonfim (BA), depois foi implantado o campus Paulo Afonso (BA) e, mais recentemente, o campus Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, foi criado. A universidade oferece 35 cursos de graduação, dos quais 30 são presenciais e cinco na modalidade de Educação a Distância (EAD). A Univasf também possui 17 cursos de mestrado, quatro doutorados e 10 especializações.


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