Estudo Pesquisa da UFPE mostra que homofobia é potencializada em comentários de postagem no Facebook

Publicado em: 29/05/2019 14:14 Atualizado em: 29/05/2019 14:24

Uma pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) mostrou que a homofobia é potencializada em comentários de postagem no Facebook. Na dissertação Redes de Ódio: um estudo sobre homofobia no Facebook, Lawerton Braga da Silva analisa as diferentes formas de expressão da homofobia numa publicação via Facebook da página “Quebrando o Tabu”, onde o médico Dráuzio Varella fala a respeito da homossexualidade.

A partir da análise dos comentários, o autor observou e classificou como eixos temáticos dentro dos comentários: Classe 1 – Respeito (40%); Classe 2 – Debate Político-Ideológico (22,1%); Classe 3 – Influência da Homossexualidade para as Crianças (12,9%); Classe 4 – Acusação aos Homossexuais de Deturpação da Igreja (25%).

Analisando as opiniões dos internautas, Lawerton identificou como expressões em relação à homofobia as que ele classifica como flagrante, sutil e não preconceituosa. A expressão flagrante se refere aos comentários ofensivos explícitos que “não mascaram o seu conteúdo e, na maioria das vezes, estão ancorados a uma lógica religiosa”. A sutil apresentou “novas expressões de preconceito, que são veladas e justificadas, sobretudo, na ameaça aos valores da família e da igreja. E a expressão não preconceituosa foi observada por meio da defesa explícita dos homossexuais e da homossexualidade, baseada num discurso de igualdade.

Segundo o autor, “a pesquisa identificou diferentes expressões homofóbicas nos comentários, além de discursos justificadores para os posicionamentos preconceituosos, ancorados em explicações distintas para a homossexualidade”. A dissertação foi defendida no Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGPsi) da UFPE.

O trabalho, orientado pela professora Renata Aléssio, também aponta a relação entre as relações intergrupais e a homofobia, como as relações de comunicação social constroem um pensamento comum a respeito da homossexualidade. “As relações intergrupais se constituíram como processos norteadores das discussões, tendo em vista que a formação de grupos e os processos de categorização social se constituem como a forma pelos quais os grupos sociais se identificam e, consequentemente, expressam posicionamentos contrários aos homossexuais”, afirma.

A dissertação também reflete sobre as representações sociais sobre a natureza da homossexualidade, partilhadas por pessoas heterossexuais, podem estar na base da homofobia expressa nos ambientes de trabalho. “A homofobia é um fenômeno relevante que está presente nas relações sociais, por meio de crenças, emoções, ideologias e posicionamentos. É um tema que gera debate em diferentes esferas, criando e recriando o conhecimento através das redes sociais, por exemplo”, diz Lawerton. "Por não existirem políticas públicas de combate a esses crimes, como banco de dados ou relatórios oficiais, é ainda mais complexo combater essas formas de agressão – principalmente em redes sociais", analisa.



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