OLINDA Observatório da Sé tem programação especial nesta quarta-feira (29)

Publicado em: 28/05/2019 19:33 Atualizado em: 28/05/2019 19:39

Foto: Nando Chiappetta/DP.
Foto: Nando Chiappetta/DP.
Há 100 anos, no dia 29 de maio de 1919, a visão do mundo e da ciência foi transformada por um eclipse. A cidade de Sobral (CE) foi o palco da observação deste fenômeno e levou Albert Einstein a declarar, alguns anos depois, em passagem pelo Rio de Janeiro que "o problema que minha mente formulou foi respondido pelo luminoso céu do Brasil". Nesta quarta-feira (29), em comemoração ao centenário do fenômeno, o Observatório Astronômico do Alto da Sé, em Olinda, com o Espaço Ciência, tem uma programação especial.

O observatório abrirá em horário especial, a partir das 14h às 21h, para observações do céu, oficina de máscaras para observar o sol, atividades interativas sobre eclipses e projeções de vídeo. “A observação deste eclipse foi a comprovação da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, que revolucionou nossa forma de ver o mundo e o cosmos. E foi o céu nordestino que garantiu isso”, afirma o diretor do Espaço Ciência, Antonio Carlos Pavão, que também é professor do Departamento de Química Fundamental (DQF) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

De acordo com Einstein, tempo e espaço formam um único tecido, maleável, que pode ser distorcido ou se curvar sob efeito de corpos com muita massa, como o sol. A própria luz também tem sua trajetória desviada. A teoria havia sido publicada em 1916, depois de oito anos de estudos. No entanto, na época, quando vigoravam apenas os conceitos Newtonianos sobre a gravidade, a Teoria da Relatividade estava longe de ser aceita.

Para comprová-la, seria necessário observar as estrelas que ficam bem próximas ao sol em um momento em que os raios solares não as ofuscassem. Um eclipse, por exemplo. Depois, fotografá-las novamente quando já não estivessem sob efeito da gravidade solar. E comparar a trajetória. Durante vários anos, pesquisadores de vários países organizaram expedições para tentar acompanhar eclipses totais do sol em cantos distintos do mundo. Todas fracassaram, até 1919.

Dois pontos do mundo reuniam as condições ideais para esta observação: a Ilha do Príncipe, na África, e a cidade de Sobral, no Ceará. Equipes da Sociedade Real Astronômica, da Inglaterra, foram enviadas aos dois locais. Na África, choveu. No Ceará, amanheceu nublado, mas os céus favoreceram a equipe comandada pelos ingleses Andrew Crommelin e Charles Davidson, em parceria com o Observatório Nacional.

O eclipse teve início às 8h55 e durou cerca de cinco minutos e 13 segundos. Uma comissão brasileira, liderada pelo físico Henrique Morize, diretor do Observatório Nacional, fez as observações da corona solar enquanto que os norte-americanos Daniel Wise e Andrew Thompson fizeram as medidas do magnetismo terrestre e de eletricidade atmosférica. Bastaram cinco ou seis fotos para que se comprovasse: Einstein estava certo.

Fotografias feitas dois meses depois, com as mesmas estrelas sem a influência do sol, foram comparadas com as de Sobral. Revelaram uma diferença de 1,75 segundo de arco, conforme tinha previsto Einstein. O anúncio foi feito em 6 de novembro de 1919, em Londres e, no dia seguinte, a notícia estampava as manchetes dos jornais por todo o mundo: a teoria de Einstein suplantara a do gênio britânico Isaac Newton.


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