Saúde Pernambuco prepara laboratório para diagnosticar 'novas' arboviroses

Publicado em: 28/05/2019 10:55 Atualizado em: 28/05/2019 12:07

Crédito: Alexandre Carvalho/Governo de São Paulo
Crédito: Alexandre Carvalho/Governo de São Paulo

Diante do risco de introdução de novos arbovírus em Pernambuco, o estado está estruturando o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-PE) para realizar localmente o diagnóstico laboratorial de, pelo menos, três “novas” doenças. A unidade espera insumos e já qualificou a equipe técnica para que sejam feitas no Recife as análises de amostras para suspeitas de casos do vírus mayaro, da febre oropouche e da febre do nilo, todos transmitidos por mosquitos. Atualmente, qualquer caso suspeito precisa ter o material encaminhado para o Instituto Evandro Chagas (IEC), no Pará.

O objetivo é agilizar as respostas dos registros suspeitos, para identificar de maneira precoce e intervir em caso de introdução de novos arbovírus no estado. A necessidade cresce diante da identificação da circulação do vírus mayaro no Rio de Janeiro e interior de São Paulo. Estudos realizados pela Universidade de São Paulo (USP) evidenciaram a presença de anticorpos para a febre do mayaro em amostras de doadores de sangue na cidade de São Carlos. Já a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encontrou em amostras de casos ocorridos em 2016 três pessoas com diagnóstico positivo para o mayaro.

O vírus é endêmico na região amazônica e costuma ser transmitido pelos mosquitos do gênero Haemagogus. Acredita-se, entretanto, que o Aedes aegypti pode ter competência na transmissão do vírus. O mayaro é considerado um “primo” da chikungunya, com os mesmos sintomas, mas sem evoluir para uma fase crônica. As descobertas acendem o alerta para que casos de chikungunya registrados no Brasil, em 2016, possam ter um percentual de diagnósticos como sendo de mayaro. Assim como dá indícios de expansão da circulação do vírus no país.

“Já realizamos um monitoramento de arbovírus por meio de coleta de mosquitos no meio ambiente em parceria com o Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães, desde 2017. Lá, eles fazem a análise biomolecular dos mosquitos coletados em ambiente hospitalar. A proposta agora é ter o diagnóstico mais próximo”, afirmou a gerente do Programa Estadual de Controle das Arboviroses da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Claudenice Pontes. De acordo com ela, o estado espera os insumos do IEC para que o Lacen esteja completamente apto a realizar os diagnósticos. “Hoje, se tiver alguma suspeita, as amostras são encaminhadas para o Evandro Chagas. Já temos profissionais habilitados a fazer o diagnóstico não só de mayaro, mas de febre do nilo e oropouche. Se a gente deixa o Lacen preparado, vamos otimizar essa resposta”, acrescentou Claudenice.

Segundo ela, Pernambuco não tem hoje nenhum caso suspeito de arbovírus que não circulam no estado. “Há uma circulação de pessoas, então sempre há uma possibilidade alta de introdução de um novo arbovírus em Pernambuco. Por isso, temos que ficar preparados para fazer a intervenção no momento adequado. O ideal é que não tivéssemos condições de proliferação, mas nosso clima favorece, o que eleva o risco de introdução de novos arbovírus”, explicou Claudenice Pontes.
Outros arbovírus
Apesar desses riscos, a gerente afirmou que a grande preocupação hoje em Pernambuco é com a dengue, cujos casos apresentam aumento em relação ao ano passado, e aos casos de complicações neurológicas decorrente da infecção pela dengue e a chikungunya. Em Pernambuco, foram implantadas três unidades sentinela – Hospital da Restauração (HR), Hospital Correia Picanço e Hospital Mestre Vitalino (HMV) – para monitorar as complicações neurológicas decorrentes das arboviroses. Parte das informações coletadas será apresentada em um evento, na manhã desta quarta-feira (28), na Secretaria Estadual de Saúde (SES), no Bongi. “Iremos fazer uma apresentação de qual a sintomatologia, das formas atípicas, para alertar sobre a evolução inesperadas de algumas arboviroses. Queremos deixar os profissionais sensíveis”, acrescentou Claudenice Pontes. 


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