Educação e Religião A inovação como caminho para o futuro da Educação

Publicado em: 27/05/2019 07:07 Atualizado em: 27/05/2019 16:49

Foto: Fábio Queiroz/Agência Brasil
Foto: Fábio Queiroz/Agência Brasil
Por Breno Paredes

Você sabia que as escolas como conhecemos hoje são contemporâneas da Revolução Industrial?  Pois é, as escolas com este formato com diferentes séries, cadeiras enfileiradas, disciplinas específicas e professores falando à frente das turmas, surgiram no final do século 18, junto com a Revolução Industrial e a intensificação do capitalismo.

Podemos dizer então que este modelo de educação tradicional, decorrente da Revolução Industrial e praticado até os dias de hoje, buscou promover uma instrução básica para a população, tornando-a capaz não somente de operar as máquinas, como também de realizar atividades comerciais, a exemplo de compra, venda e negociação. E com sucesso do modelo industrial utilizado nas fábricas veio a ideia de aplicar este método nas salas de aulas.

Uma vez que se percebeu que a réplica desta lógica industrial (baseada no pensamento linear, previsibilidade, repetição e segmentação) também garantiria o desenvolvimento das competências ideais para a classe trabalhadora, como: disciplina, especialização e a obediência. 

Contudo, com o passar dos anos (e séculos) começamos a perceber que o modelo tradicional de ensino não estava mais adequado às necessidade da sociedade atual. Principalmente após o início da Era Digital e a carência em relação ao desenvolvimento de competências e habilidades capazes de solucionar problemas não mais previsíveis e segmentados, mas sim, cada vez mais complexos. 

Em outras palavras, precisamos inovar no modelo de ensino, dado que a educação tradicional não mais provém as competências necessárias para a formação do profissional do futuro, como nos mostram as pesquisas e estudos da área. 

Pesquisadores da Universidade de Oxford (EUA), em 2013, apontaram que 47% dos das ocupações e empregos possuem um alto risco de serem substituídos por alguma automação tecnológica. E o Fórum Econômico Mundial mencionou em 2016 que 35% das habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar até 2020. 

Uma abordagem inovadora que pode ser empregada no ensino em busca do desenvolvimento das habilidades necessárias para o futuro é o Design Thinking. O Design Thinking é uma abordagem criativa focada no ser humano e que se baseia na multidisciplinariedade, colaboração e na empatia, isto é, na capacidade de se colocar no lugar do outro – e sentir como ele se sente. 

Por se basear em conceitos criativos e na forma de pensar dos designers, a abordagem do Design Thinking busca entender as experiências pessoais e o contexto,  estimular a criatividade e o surgimento de inovações. Charles Burnette, um dos principais pensadores desta área, conceitua o Design Thinking como sendo “um pensamento crítico e criativo que permite organizar informações e ideias, tomar decisões, aprimorar situações e adquirir conhecimento”.

Percebemos, então, que o Design Thinking é uma abordagem extremamente útil tanto para os alunos – pois os ajuda a desenvolver competências modernas como a capacidade de resolução de problemas complexos – como também para os professores, já que estes podem passar a entender melhor as necessidades, experiências e o contexto que os seus alunos estão inseridos e com isto propor soluções inovadoras para a Educação, como novos formatos de aula, mudanças físicas no ambiente nas salas, integração de tecnologias, uso de novas abordagens e debates conceituais, gameficação de conteúdos, além de permitir que os alunos colaborem com a construção do conhecimento, tornando-os cidadãos capazes não só de internalizar conhecimentos, mas também de refletir, interagir e realizar considerações sobre as próprias escolhas.


*Breno Paredes é CEO da Cysneiros e Consultores e Mestre em Administração.


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