Educação de qualidade faz toda a diferença

Por: Alice de Souza - Diario de Pernambuco

Publicado em: 25/05/2019 08:45 Atualizado em:


Investir na educação desde a primeira infância gera retornos positivos não só no desenvolvimento das crianças, mas financeiros e sociais. Nos anos 1960, 123 alunos de uma escola norte-americana foram divididos aleatoriamente em dois grupos. O primeiro, com 58 crianças, recebeu uma educação pré-escolar de alta qualidade. O segundo, com 65, não. Os resultados do Perry Preschool Project são até hoje usados como referência para reforçar a necessidade de investir em uma boa educação desde os primeiros anos de vida. O estudo mostrou que alunos de escolas de alta qualidade têm mais chances de estarem empregados e menos chance de cometer crimes.

Entre o primeiro e o sexto anos de vida, a criança forma uma base de conhecimentos que vai usar no futuro. Neurocientistas apontam que em nenhuma outra fase da vida as respostas serão tão rápidas quanto as que ocorrem na primeira infância. Um dos principais estudiosos do assunto, o professor da Universidade de Chicago e prêmio Nobel de Economia em 2000, James Heckman, por exemplo, defende que essa é uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e com um enorme poder de absorção, como uma esponja maleável.

Entre o nascimento do primeiro e o da terceira filha, a comerciária Elian de Lima, 36, buscou informações sobre a importância da escola nos primeiros anos de vida. Tornou-se mais parceira da gestão escolar e é considerada uma mãe participativa. “Acompanho a vida escolar deles e confio na instituição de ensino. Vejo a escola como parceira no processo de educação deles, mas não a única responsável. Em casa, a atenção, o cuidado, as historinhas, as brincadeiras continuam”, conta a mãe de Emanuel, 6; Iris, 2, e Marisa Letícia, 11 meses. 

Os filhos entraram na Creche Oito de Maio, no Ibura, desde antes de completar um ano. “Minha visão sobre a educação infantil mudou muito nos últimos anos. Quando eu era adolescente, a impressão sobre creche que tínhamos era de um lugar onde a criança ficava sem estímulos, sem aprender”, diz. “Sempre fui alfabetizadora e trabalho com educação há 26 anos. Quando ingressei na pedagogia, a educação infantil não era tão valorizada. Era muito limitada à educação privada. A noção sobre essa importância tem se fortalecido nos últimos anos”, afirma a gestora da creche municipal onde os filhos de Elian estuda, Sandra Pereira. 

Para a pedagoga e mestra em psicologia educacional pela Universidade de Nova York (NYU), Ana Luiza Colagrossi, o envolvimento da família é essencial no processo de educação na primeira infância. “Família e escola devem caminhar juntas, uma potencializando a ação da outra. Quando fazem isso, quem ganha é a criança. Engajamento familiar não é só a presença dos pais na unidade escolar, mas que eles contribuam para o desenvolvimento da criança. Para isso, a escola também precisa abrir as portas. Quando a escola tem escuta familiar, entende o comportamento que uma criança pode estar tendo. Já os pais, conversando com a escola, entende o comportamento em casa do filho”.

Nos primeiros anos de vida, a aprendizagem se dá por meio do brincar. Ao explorar o mundo a partir das brincadeiras, a criança coloca em desenvolvimento habilidades físicas, sociais, emocionais e intelectuais. Elas aprendem sozinhas sobre o cumprimento de regras, a lidar com desafios e frustrações, a conviver com as diferenças. São apresentados à vida social e cultural, na medida em que as brincadeiras também significam o repasse de tradições. “Brincadeira é, ao contrário do que se pode pensar, assunto sério. O papel do adulto é oferecer à criança um ambiente seguro e propício para que ela se desenvolva”, enfatiza a pedagoga Flávia Lyra. 
 




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