FEMINICÍDIO Família está devastada com soltura do acusado de matar ex-mulher

Publicado em: 17/05/2019 19:03 Atualizado em: 17/05/2019 19:48

Em outubro de 2018, Guilherme José de Lira Santos colidiu o carro em que ambos estavam contra uma árvore. Foto: Acervo Pessoal
Em outubro de 2018, Guilherme José de Lira Santos colidiu o carro em que ambos estavam contra uma árvore. Foto: Acervo Pessoal
A Primeira Vara do Tribunal do Júri Capital concedeu, na tarde desta sexta (17), a revogação da prisão preventiva de Guilherme José de Lira Santos, que já deixou o Cotel. Ele é acusado do feminicídio da ex-esposa Patrícia Cristina Araújo Wanderley Lira, morta aos 46 anos, quando bateu o veículo que conduzia a ambos contra uma árvore, em novembro do ano passado. Segundo a Central de Inquéritos do Ministério Público, não houve sinais de freio e nenhuma tentativa de desvio do carro, apenas aceleração constante. A colisão teve um impacto de quase 1 tonelada na vítima, que estava sem cinto de segurança. O motorista saiu ileso. A revogação da prisão foi assinada pelo juiz Ernesto Bezerra Cavalcanti. O acidente ocorreu no dia 4 de outubro na Rua Fernandes Vieira, na Boa Vista, área central do Recife.

A justificativa do magistrado para a soltura de Guilherme foi tomada mediante a aplicação de medidas cautelares como comparecimento mensal para assinatura do termo de compromisso e informação das suas atividades. Guilherme deve, ainda, comparecer em até 24 horas após sua soltura à primeira Vara para assinar o termo de compromisso e informar endereço atual. Ele 
também ficará proibido de se ausentar da região Metropolitana do Recife por mais de 15 dias, sem antes obter autorização ou informar seu destino. Deve, ainda, comparecer a todos os atos processuais para os quais for convocado. Caso o acusado deixe de cumprir algum dos requisitos, a revogação da prisão pode ser revista. 

Os argumentos foram para a soltura foram a primariedade do acusado, o fato de possuir emprego e residência fixos, e de não ser indivíduo que represente perigo para a paz social caso posto em liberdade. Ficou determinado que o alvará de soltura fosse expedido para imediato cumprimento. O juiz também considerou a prisão de Guilherme como uma “medida extrema”, justificada pelo resguardo da ordem pública, mas avaliou que o recolhimento do acusado não é mais necessário a partir da atual fase processual. 

A decisão saiu um dia depois da primeira audiência do caso, realizada na quinta-feira (16). A mãe, o irmão, parentes e amigos de Patrícia Cristina Araújo Wanderley acompanharam a reunião, realizada no Fórum da Joana Bezerra, no Recife, e cobraram providências da Justiça.
 
Fernando Wanderley, 37, professor univetisário, é o irmão mais novo de Patrícia. Ele conta que a notícia da soltura de Guilherme pegou a família supresa, desprevinida. “Estamos completamente devastados e atemorizados também pelo que ainda possa acontecer.  Iremos nos reunir com advogados para saber como agir daqui para a frente, mas acreditamos que a justiça está sendo feita e que continuará a ser. Como os fatos estão muito claros, acreditamos na condenação dele”, afirma. 

Fernando contou ainda que a família começou a perceber a conturbação do casamento quando Patrícia pediu a separação, um ano antes do seu falecimento. Cinco meses antes, ambos já moravam em casas separadas, mas Guilherme não aceitava o fim do matrimônio. “Ele já tinha tentado suicídio e sabíamos do seu desequilíbrio emocional, mas nunca imaginamos este desfecho”, relata. Guilherme conta ainda que, assim como ele, a mãe de Patrícia também confia na justiça. “Estamos nos agarrando na verdade e ela encontra-se equilibrada em toda esta situação”, conclui.
 
Relembre o caso - o feminicídio aconteceu no último dia 4 de novembro de 2018 na Rua Fernandes Vieira, na Boa Vista, Centro do Recife. Guilherme provocou a colisão que terminou com a morte de Patrícia Wanderley. Ela estava no banco do passageiro sem o cinto de segurança e acabou presa nas ferragens. No dia 18 de dezembro, o acusado teve um habeas corpus negado. Em documento, o Ministério Público afirma ter havido provas materiais suficientes, além dos testemunhos e escutas telefônicas da vítima, que comprovam a perseguição, excesso de ciúmes, desequilíbrio, controle e ameaças do acusado para com a vítima. Guilherme e Patrícia são pais de um casal de adolescentes, de 13 e 14 anos, que estão sob a guarda definitiva da avó materna.


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