Religiosidade Procissão dos Pretos e Pretas Velhas pede respeito à ancestralidade negra neste domingo, em Olinda

Por: Samuel Calado - Redes Sociais e Site

Publicado em: 12/05/2019 09:00 Atualizado em:

O evento tem a intenção de pedir respeito à identidade africana e indígena. Foto: Rennan Peixe/Divulgação
O evento tem a intenção de pedir respeito à identidade africana e indígena. Foto: Rennan Peixe/Divulgação

Neste domingo (12), o Sítio Histórico olindense será palco da I Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda. O evento é realizado pela Casa das Matas do Reis Malunguinho e terá início às 18h, logo após a celebração na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, no Bonsucesso. Para participar do ato, os organizadores indicam ir com roupas completamente brancas. 

Promover a reflexão sobre as marcas da escravidão e levantar discussões no que se refere a luta contra o racismo. É com este objetivo que os juremeiros da cidade irão sair pelas ladeiras da cidade histórica entoando cânticos em memória dos antepassados africanos e indígenas. “Queremos celebrar a memória heróica desses e dessas que morreram lutando por liberdade. Foi justamente devido a resistência deles, que hoje podemos realizar a nossa gira de Jurema”, conta Alexandre L’Omi L’Odò, sacerdote da casa. 

O evento é organizado pela Casa de Reis Malunguinho. Foto: Rennan Peixe/Divulgação
O evento é organizado pela Casa de Reis Malunguinho. Foto: Rennan Peixe/Divulgação

É importante enfatizar e questionar as desigualdades provocadas pelas escravatura no Brasil. Ainda hoje, as pessoas de religiões de matriz africana e indígena sofrem com a discriminação. “ A nossa proposta é de diálogo inter-religioso. Queremos levar a discussão crítica sobre o dia treze de maio”, acrescenta o líder religioso. Para a primeira edição, o grupo espera um público de aproximadamente 500 pessoas. 

Na programação, a partir das 18 horas, haverá uma celebração conduzida pelo Padre Josenildo, em razão da  ancestralidade negra, que foi violentamente torturada no período da escravidão. Serão entoados cânticos  específicos de luta contra o racismo em louvor à ancestralidade afro-indígena. Após a cerimônia, os religiosos vão seguir com a procissão pelas ruas.

Ao final da procissão, haverá a ceia (Canjerê), com comidas do período da escravidão. Foto: Rennan Peixe/Divulgação
Ao final da procissão, haverá a ceia (Canjerê), com comidas do período da escravidão. Foto: Rennan Peixe/Divulgação

Um andor com imagens representando o Preto e a Preta Velha abrirá a caminhada e será conduzido pelos filhos do terreiro. No final do percurso, todas as pessoas serão convidadas a participar da grande ceia, o Cangerê dos Pretos Velhos, onde irão servir as comidas das senzalas. “Encerraremos com a gira de jurema, onde já dentro do terreiro, cantaremos, dançaremos e louvaremos à todos pais e mães pretas, que espiritualmente vêm a terra para nos trazer paz, proteção e bons caminhos na vida”, ressalta Alexandre. 

Confira o roteiro 

17h - Celebração à ancestralidade negra em frente a Igreja do Rosário dos Homens Pretos de Olinda. 
18h - Procissão dos Pretos e Pretas Velhas de Olinda. 
19h - Festa dos Pretos e Pretas Velhas, na Casa do Reis Malunguinho, com Gira de Jurema em celebração aos antepassados. 
 
Serviço 
Procissão dos Pretos e Pretas Velhas pede respeito à ancestralidade negra neste domingo, em Olinda 
Onde: Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos (celebração) e Casa do Reis Malunguinho (ceia). 
Quando: 12 de maio de 2019. 
Horário: 18h. 
Endereço: R. Alto do Rosário - Monte, Olinda - PE (igreja) e Rua de São João, nº 340, Guadalupe, Olinda (terreiro).  
Informações: 81 99525-7119 / 98887-1496
 


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