Infraestrutura Até o final deste ano, Jaboatão deve pavimentar 50 ruas

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 03/05/2019 08:00 Atualizado em: 03/05/2019 08:14

Foto: Tarciso Augusto/DP Foto. (Foto: Tarciso Augusto/DP Foto.)
Foto: Tarciso Augusto/DP Foto.
São quatro décadas esperando que os carros possam parar na frente da própria casa. Nesse intervalo, foram muitas dificuldades. Todas as vezes em que foi à feira, Maria de Lourdes Araújo, 74, precisou da ajuda de um carrinho de mão para levar as compras até a residência. Quando o marido fez um transplante de fígado, foi uma peleja para deslocá-lo até a avenida principal. Em épocas de chuva, a atenção era redobrada. Lourdes soma duas quedas nas poças. Por isso, a primeira moradora da Rua Terezinha, no bairro de Dois Carneiros, em Jaboatão dos Guararapes, abriu o sorriso ao ver pela primeira vez a via pavimentada. 

A Rua Terezinha é uma das primeiras sete contempladas com requalificação, dentro de um pacote de obras de pavimentação que está sendo implementado em Jaboatão. Sete em cada 10 ruas da cidade não possuem pavimento. Em todo o município, apenas 6% das áreas são saneadas. Nos próximos três anos, Jaboatão investirá R$ 120 milhões para amenizar essa situação. Em 2019, serão investidos R$ 48 milhões. O trabalho começou por sete ruas, em obras nos bairros de Dois Carneiros, Cavaleiro, Candeias, Cajueiro Seco e Muribeca.

Outros projetos para 34 vias estão com licitação aberta. Até o fim do ano, mais 50 ruas serão licitadas e concluídas. “Sabemos hoje a importância que é ter uma rua asfaltada e uma obra de saneamento dentro de uma comunidade. É um grande desafio da gestão de uma cidade como Jaboatão, que tem um índice de desigualdade muito elevado. A gente vive uma luta constante para reverter essa desigualdade social”, explicou o prefeito Anderson Ferreira.

De acordo com ele, a verba para realizar o serviço vem em parte das economias realizadas desde o início da gestão. “Nossa prioridade é escolher as ruas mais deficitárias. Gradativamente, com calma, estamos analisando as situações para priorizar as demandas das comunidades”, afirmou o secretário de obras da cidade, Eduardo Torres. Maria de Lourdes estava em um culto quando encontrou o prefeito e não perdeu a oportunidade de pedir pela requalificação da rua onde mora há quatro décadas. Ela foi a primeira moradora da Rua Terezinha e a que mais tempo sofreu com a precariedade da via. Agora, é só alegria.

“Quando cheguei por aqui era tudo mato. Só tinha a minha casa. As outras foram chegando depois, mas a rua continuou cheia de buracos. Quando é época de chuva, é uma dificuldade. Já levei duas quedas, fiquei com a perna arranhada”, lembrou, enquanto admirava a nova rua, ainda em fase de conclusão. Maria de Lourdes tem ainda outro motivo para ficar feliz. É que, além da pavimentação da via, a comunidade ganhou um novo equipamento de esportes, cultura e lazer. 
A estrutura do Centro de Artes e Esportes Unificados, obra iniciada em 2012 e interrompida há cerca de dois anos, foi concluída. A finalização do espaço foi retomada em meados do ano passado e está pronta para receber os equipamentos. 

“Essa é uma obra remanescente da gestão anterior, que está sendo financiada com recursos federais e municipais. A empresa que havia vencido a licitação tinha desistido e a segunda colocada assumiu”, afirmou Eduardo Torres. O centro terá biblioteca com capacidade para 3,5 mil livros, anfiteatro para 50 pessoas, pista de cooper, pista de skate, quadra, além de equipamentos de saúde. “Estamos em paralelo com o processo licitatório para fazer o ‘recheio’ da estrutura. Equipamento mobiliário das salas, do consultório, da parte cênica, da biblioteca e do laboratório de informática. Também estamos conversando com a comunidade, para criar o sentimento de pertencimento e estimular o cuidado”, detalhou o secretário de Turismo, Cultura, Esportes e Lazer da cidade, André Trajano. 

Segundo ele, a ideia é convidar grupos que atuam na comunidade com teatro, música, poesia e esportes para ocupar e realizar atividades no centro. O centro deverá estar totalmente pronto para uso da população em agosto, porém mesmo sem funcionamento pleno já começou a ser incorporado à rotina da comunidade. “Moro aqui desde que nasci e nunca tivemos um lugar para caminhar, fazer atividades físicas. A gente era uma população muito carente nisso. Agora, há dois meses que estou caminhando aqui”, contou a dona de casa Ilma Silva, 35. 


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