Saúde Estado investiga morte de estudante de medicina por H1N1

Por: Alice de Souza - Diario de Pernambuco

Publicado em: 02/05/2019 09:31 Atualizado em: 02/05/2019 11:32

A menina deu entrada no último sábado (27), com vômito, febre e dores no corpo, em uma únidade de saúde da capital. Crédito: Secretaria de Saúde/PCR
A menina deu entrada no último sábado (27), com vômito, febre e dores no corpo, em uma únidade de saúde da capital. Crédito: Secretaria de Saúde/PCR

Uma estudante de medicina pode ter sido vítima do H1N1 em Pernambuco neste ano. A morte da adolescente, de 17 anos, por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) está sendo investigada pela Secretaria de Saúde do Recife (Sesau). A menina deu entrada no último sábado (27), com vômito, febre e dores no corpo, em uma únidade de saúde da capital e faleceu no mesmo dia. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) reforçou que esta não é a primeira morte investigada por SRAG no estado em 2019 e que a mesma pode ter sido causada por outros agentes, que não o H1N1, também.

Diante do caso, uma equipe da Vigilância Epidemiológica do Recife visitou a instituição particular de ensino onde a vítima estudava, no Recife, para orientar alunos e realizar trabalhos de prevenção. 

Em 2019, Pernambuco registra aumento nos casos de SRAG. Até o começo de abril, foram registrados 315 casos de SRAG no estado. No mesmo período, em 2018, eram 87 casos. A síndrome é uma infecção viral que pode ser provocada por vários vírus, dentre eles o H1N1. O vírus com mais casos positivados em Pernambuco é influenza B. De acordo com a SES, dos 671 registros de síndrome respiratória aguda grave (Srag) até o dia 16 de março, 594 (88,5%) foram em meninos e meninas menores de 6 anos. Já dos 7 casos confirmados laboratorialmente para influenza B, todos foram em crianças menores de 5 anos.  
 
A SRAG é caracterizada pela necessidade de internação do paciente. O quadro pode ser provocado por diversos agentes (vírus e bactérias) e alguma das características para a necessidade de internação dos pacientes são febre, tosse ou dor de garganta associado à dispneia ou desconforto respiratório. O Brasil notifica obrigatoriamente os casos de SRAG.
 
SAIBA MAIS
 
A influenza é uma infecção viral aguda que afeta o sistema respiratório. A transmissão ocorre por meio de secreções das vias respiratórias da pessoa contaminada ao falar, tossir, espirrar ou pelas mãos, que após contato com superfícies contaminadas por secreções respiratórias pode levar o agente infeccioso direto à boca, olhos e nariz. A medida para prevenção aos casos de influenza é a vacinação dos grupos prioritários. O Dia D da campanha de vacinação 2019 acontece neste sábado (4).

Os grupos prioritários para vacinação são: crianças entre 6 meses e 5 anos, 11 meses e 29 dias; gestantes, idosos (60 anos ou mais), puérperas (até 45 dias após o parto), trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas e povos indígenas. A imunização, que protege contra as influenzas A(H1N1), A(H3N2) e B, contempla também portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (que devem apresentar prescrição médica no ato da imunização). Outro público contemplado é o de adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade sob medidas socioeducativas, população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional.

Além disso, o Ministério da Saúde orienta vacinar policiais civis, militares, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas, que devem apresentar documento comprobatório no ato da vacinação, assim como os professores e profissionais de saúde. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza segue até o dia 31 de maio.
 
Leia na íntegra a nota da Secretaria de Saúde do Recife
Em 29/04, a Secretaria de Saúde do Recife foi notificada de um óbito por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). Paciente do sexo feminino, 17 anos, que residia parte da semana em Boa Viagem e outra num município do Agreste pernambucano. Era estudante de uma universidade particular do Recife. Ela deu entrada em 27/04 num hospital particular do Recife com febre, dor de garganta, diarreia, vômitos e perda de peso desde o dia 20/04/2019, evoluindo para o óbito, ainda na emergência, no mesmo dia. O corpo foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbitos para investigação de vírus respiratórios, considerando que a SRAG pode ser provocada por diversos agentes etiológicos.

Ressaltamos que, de acordo com o Ministério da Saúde, a vacinação é preconizada como medida de prevenção para grupos prioritários e não como medida de proteção para contatos de casos suspeitos, uma vez que o tempo de soro conversão da vacina é maior do que o período de incubação da doença, inviabilizando a imunidade oportuna. A equipe da Vigilância Epidemiológica do Recife promoveu, em 30/04, uma visita à universidade da jovem para orientação de medidas de prevenção e segue investigando o caso.
 
Leia a nota da Secretaria Estadual de Saúde (SES)
A Secretaria Estadual de Saúde (SES) informa que foi notificada, no último domingo (28/04), pela equipe do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) do Recife, de um óbito suspeito de síndrome respiratória aguda grave (Srag) em uma unidade de saúde do Recife. A paciente, uma mulher de 17 anos, que veio a óbito no sábado (27/04) após agravamento do quadro clínico, residia parte da semana no Recife e parte da semana em Bezerros, no Agreste do Estado.

As amostras colhidas já foram encaminhadas para realização de exames laboratoriais. Vale destacar que o agente etiológico causador da síndrome só pode ser confirmado após o resultado dos exames. A SES já está em contato com as secretarias de Saúde do Recife e de Bezerros e segue acompanhando o caso. 

Importante destacar, segundo preconiza o Ministério da Saúde (MS), que o bloqueio vacinal de contatos com casos suspeitos de Srag não faz parte das ações de Vigilância, uma vez que o tempo de soroconversão da vacina contra a influenza é maior do que o período de incubação da doença, inviabilizando a proteção necessária. 
 
Mais de 100 salas abertas para Dia D de vacinação no Recife 
Neste sábado (4), 170 salas de vacinação das unidades de saúde da família (incluindo as Upinhas), unidades básicas tradicionais e policlínicas do Recife estarão abertas para o Dia D. As unidades municipais de saúde estarão abertas das 8h às 17h.

Até agora, foram imunizados cerca de 100 mil recifenses, o que corresponde a cerca de 20% do público prioritário - que aumentou para mais de 500 mil pessoas depois que o Ministério da Saúde (MS) incluiu policiais, bombeiros e membros ativos das Forças Armadas. A meta do Governo Federal é vacinar pelo menos 90% do público-alvo. Em 2018, 100% do grupo foi imunizado contra a doença.

Além de levar a carteira de vacinação e um documento de identificação, parte do público-alvo precisa apresentar documentos que provem a necessidade da vacinação. Profissionais das redes públicas e privadas de educação e de saúde devem levar comprovantes laborais, como crachás ou carteira de trabalho, por exemplo. Mulheres puérperas necessitam de comprovação de que passaram por parto nos últimos 45 dias. Já as pessoas com comorbidade têm de apresentar encaminhamentos médicos justificando a aplicação da vacina.  

Para evitar a propagação de casos, algumas medidas de prevenção devem ser adotadas por toda a população:
 
- Cobrir o nariz e a boca com lenço, ao tossir ou espirrar, e descartar o lenço no lixo após uso.
- Lavar as mãos com água e sabão após tossir ou espirrar.
- No caso de não haver disponibilidade de água e sabão, usar álcool gel.
- Evitar tocar olhos, nariz ou boca.
- Evitar contato próximo com pessoas doentes. 



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