Mobilidade Metrô do Recife: aumenta o preço, mas não a qualidade Aumento de 150% que levará a tarifa a R$ 4 até o ano que vem pesará no bolso do passageiro, mas não será suficiente para melhorar qualidade do serviço

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 29/04/2019 07:39 Atualizado em: 29/04/2019 07:55

Atualmente, o Metrô arrecada R$ 62 milhões por ano. Foto: Peu Ricardo/DP.
Atualmente, o Metrô arrecada R$ 62 milhões por ano. Foto: Peu Ricardo/DP.
Os aumentos sucessivos na tarifa do Metrô do Recife (MetroRec), que terão início em maio, não deverão ser revertidos em melhorias para os usuários do sistema. Quando a tarifa, que hoje custa R$ 1,60, chegar aos R$ 4 em março de 2020, a receita a mais deve apenas ajudar a suprir um robusto déficit das operações metroviárias, que hoje dependem quase exclusivamente de recursos do governo federal. Atualmente, o Metrô arrecada R$ 62 milhões por ano e recebe um subsídio da União de R$ 310 milhões para fechar as contas. Passageiros se sentem reféns de u m modelo de transporte em que a população é a mais prejudicada e ainda paga por um serviço de baixa qualidade.

Segundo o superintendente da Companhia Brasileira de Trens urbanos (CBTU) no Recife, Leonardo Villar Beltrão, o aumento na tarifa não equilibrará as contas do MetroRec. “Hoje temos 106 milhões de usuários por ano. Mas 56% deles não pagam a tarifa diretamente para a CBTU porque são oriundos da integração com os ônibus. Ou seja, apenas 45 milhões de pessoas que usam o Metrô pagam a tarifa. Com o aumento da passagem, estimamos perder uns 10 milhões de passageiros, já que a tarifa ficará mais cara. Vão sobrar para o MetroRec 35 milhões de usuários pagantes por ano, no máximo, o que vai gerar uma receita anual de R$ 140 milhões. Mas para o Metrô ser autossustentável, seria necessária uma arrecadação anual de R$ 370 milhões”, justifica.

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Ainda de acordo com o superintendente, com esses R$ 140 milhões que o sistema começará a arrecadar com a tarifa a R$ 4 dá para manter o Metrô na capital pernambucana, mas o aumento não cobrirá custos como folha de pagamento, processos judiciais e impostos, entre outros gastos. “Nós ainda vamos depender dos subsídios do governo federal. Caso o Congresso vote na Lei Orçamentária Anual (LOA) para não reduzir o subsídio, podemos reverter parte da arrecadação em investimentos e melhorias. Mas nada disso é garantia e não temos como prometer”, explicou Leonardo.

Para a guia de turismo Nathaly Lopo, 33 anos, o aumento progressivo das tarifas é uma forma de enganar o usuário. “Eles sabem que o Metrô não vale essa tarifa. Temos problemas com insegurança, com os vendedores ambulantes, com sujeira, e nada disso será resolvido mesmo com a passagem mais cara. Como meu trajeto é Estação Imbiribeira até a Estação Aeroporto, tenho como trocar o Metrô pelo ônibus. Mas as pessoas que não têm outra opção? Ou que se não pegar o metrô terão que pegar três ônibus. E aquelas que ganham um salário mínimo, como conseguirão pagar R$ 4 de ida e R$ 4 de volta?”, questionou Nathaly.

É o caso da diarista Marta Pereira Nascimento, 34 anos, que trabalha no Centro do Recife e vai para o Terminal Integrado de Passageiros (TIP). “A empresa que eu trabalho paga as minhas passagens, mas é tudo descontado do meu salário. É um absurdo esse aumento. Pior que eu vou ter que continuar a usar porque eu teria que pegar dois ônibus para fazer esse mes- mo trajeto, o que sairia mais caro”, contou. Para ela, o MetroRec tem diversos problemas como lotação, falta de segurança, além dos trens sem ar-condicionado ou com os aparelhos sem funcionar de forma adequada.

Se o assistente logístico José Carlos Pereira Pascoal, 29 anos, se sente “refém” do sistema. Ou paga tarifa do Metrô ou tem que pegar três ônibus para chegar ao trabalho e mais três para voltar para casa. “Esse aumento vai pesar no bolso. E essa forma progressiva é só para enrolar as pessoas. Pior que a gente sabe que não vai mudar nada nem ter melhorias. Vamos continuar andando no calor, tendo problemas com insegurança. E como não tenho outras opções razoáveis, me sinto refém disso aqui", lamentou Carlos José. 


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