Assistência Pernambucanos atendem vítimas de ciclone na África Grupo foi convocado em caráter de emergência pelo Unicef, presta ajuda humanitária e identifica e previne doenças no Malawi

Publicado em: 26/04/2019 21:02 Atualizado em: 26/04/2019 23:02

Assistência inclui o mapeamento das áreas atingidas pelo ciclone e drones captam as imagens aéreas. Foto: Evonio Campelo Junior/Arquivo Pessoal
Assistência inclui o mapeamento das áreas atingidas pelo ciclone e drones captam as imagens aéreas. Foto: Evonio Campelo Junior/Arquivo Pessoal
 

Um grupo de pernambucanos aterrissou na região devastada pelas inundações provocadas pelo ciclone Idai, na África, para ofertar ajuda humanitária e trabalhar na detecção e prevenção de doenças infecciosas. Pesquisadores do Laboratório de Imunopatologia Keizo Asami (Lika) e das Universidades Federal de Pernambuco (UFPE) e Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) viajaram ao continente africano, mais especificamente ao Malawi, a convite do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O embarque ocorreu no dia cinco de abril e o regresso será em maio. Até lá, tentarão aprimorar tecnologias de suporte a um país que tenta se reerguer.

Os pesquisadores foram convocados pelo Unicef, em caráter de emergência, depois que o ciclone atingiu a região do sudoeste africano em março deste ano. Com ventos de quase 200 km por hora, o fenômeno provocou destruição e afetou mais de 1,5 milhão de pessoas em Moçambique, Zimbábue e Malawi. Mais de 700 pessoas morreram, milhares ficaram desaparecidas ou desabrigadas. No Malawi, a estimativa é de que mais de 440 mil crianças estejam precisando de assistência.

Além da destruição física, a tragédia natural expôs os países atingidos à epidemia de cólera. É justamente para atuar na área de saúde que os pesquisadores viajaram de Pernambuco para o Malawi, conhecido no Brasil por ser o país onde o casal de atores Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank adotou uma criança. A equipe que saiu de Pernambuco é composta por pesquisadores do Lika, provenientes do Hospital das Clínicas (HC-UFPE), do Programa de Pós-Graduação em Biologia Aplicada e do Departamento de Estatística e Informática da UFRPE. O trabalho é visitar as áreas alagadas, para atuar na captura de imagens por satélite da região, realizar voos autônomos com drones e desenhar estratégias de controle e detecção digital de epidemias na região, sobretudo de cólera, malária e sarampo.

Arte: Silvino/DP
Arte: Silvino/DP

Parte do grupo tinha relações anteriores com o Malawi e o Unicef, em projetos de troca de conhecimento para uso de tecnologias aplicadas à saúde. Uma comitiva do Fundo e do Ministério da Saúde do país africano esteve em Pernambuco no começo de 2019. Em novembro do ano passado, pesquisadores recifenses também visitaram o Malawi, por meio do consultor do Unicef Onício Leal. “Em janeiro deste ano, houve a formalização do convênio entre o Unicef, laboratórios da UFPE e UFRPE e as empresas Epitrack e Healthdrones. O que culminou com a inserção do HC e a minha presença nessa missão”, explicou o infectologista do HC Evônio de Barros Campelo Júnior.

O projeto ganhou celeridade e caráter humanitário em função da tragédia e do chamado emergencial. O grupo está na capital do Malawi, Lilongwe, mas realiza diariamente deslocamentos para outras regiões do país, ainda alagadas. “Encontrei um cenário de destruição e com um povo sofrido. Todavia, esse mesmo povo demonstra gratidão e vontade de viver, apesar do sofrimento”, contou Evônio, que já esteve na África, na Nigéria, em 2008. A ideia inicial, segundo ele, é permanecer no país até 10 de maio.

“Usaremos tecnologias inovadoras (drones, satélites e biossensores) para mapear as áreas atingidas e buscar a elaboração de algoritmos de predição e prevenção de doenças infecciosas”, acrescentou Evônio, que vem atuando na África como infectologista e pesquisador junto ao grupo das instituições envolvidas. A ideia é também formalizar uma parceria de longo prazo para realizar treinamentos e aperfeiçoar as tecnologias em desenvolvimento, o que poderá incluir a inserção de membros do Ministério da Saúde do Malawi e do Unicef na pós-graduação em biologia aplicada do Lika.



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