Saúde Hipertensão é responsável por 80% dos AVCs no Brasil

Por: Alice de Souza - Diario de Pernambuco

Publicado em: 24/04/2019 20:08 Atualizado em: 24/04/2019 20:22

Dia mundial faz alerta contra a hipertensão. Crédito: Malu Cavalcanti/ Esp. DP
Dia mundial faz alerta contra a hipertensão. Crédito: Malu Cavalcanti/ Esp. DP

A pressão alta atinge, em média, um em cada três brasileiros, chegando a mais acometer metade da população na terceira idade. Ela é responsável por 40% dos infartos no Brasil e por 80% dos Acidentes Vasculares Cerebrais (AVCs), de acordo com a Sociedade Brasileira de Hipertensão. Por causa disso, cerca de sete milhões de pessoas morrem a cada ano, no mundo. Quem possui pressão elevada tem maiores riscos de desenvolver doenças cardiovasculares, nos rins e cérebro.

Apesar disso e de a pressão alta ser de fácil diagnóstico e tratamento, apenas 23% dos hipertensos controlam corretamente a doença, 36% não fazem nenhum tipo de controle e 41% abandonam o tratamento após melhora inicial da pressão arterial. “Na nossa sociedade, o sal é consumido de forma exagerada chegando a dados de até 12 gramas por dia, muito acima das nossas necessidades, motivo pelo qual ele é, atualmente, considerado um dos fatores de risco. Assim, a restrição do sódio é positiva na redução da mortalidade por acidente vascular encefálico e regressão da hipertrofia ventricular esquerda, que é o aumento da musculatura do ventrículo esquerdo do coração”, explica a nutricionista Roberta Morgana, professora e coordenadora do núcleo de pós-graduação em nutrição da Faculdade IDE.

Por isso, o cuidado deve ser redobrado. O alerta é feito no Dia Nacional de Combate à Hipertensão Arterial, que ocorre no Recife nesta sexta-feira (26). Uma série de atividades de promoção e prevenção à pressão alta serão realizadas na cidade. Uma delas acontece a partir das 6h30, no Centro Médico Ermírio de Moraes (CMEM), em Casa Forte. Haverá um aulão de dança promovido pelos professores da Academia da Cidade, seguido de um café da manhã saudável para os participantes.

A partir das 9h, os profissionais da unidade farão roda de diálogo com os pacientes, darão orientação nutricional e vão aferir a pressão dos usuários. No Morro da Conceição, Zona Norte do Recife, o Real Hospital Português também realizará atendimentos gratuitos a 300 pessoas, para verificar pressão alta, glicemia e passar orientações. 

Entre os principais fatores que podem levar à hipertensão estão o sobrepeso, a má alimentação (sobretudo excesso no consumo de sal), o sedentarismo e o tabagismo, além do fator hereditário (indivíduos com pais hipertensões têm 30% ou mais de chances de também serem hipertensos). Na maioria das vezes, a pressão alta não causa sintomas. O indivíduo que apresenta hipertensão arterial grave ou prolongada e não tratada pode apresentar dores de cabeça, vômito, falta de ar, agitação e visão borrada.

Referência
Na capital pernambucana, o Centro Ermírio de Moraes é a unidade de referência para o tratamento da hipertensão, além de diabetes e oftalmologia. Para ser atendido lá, os pacientes precisam ser encaminhados pelas unidades de saúde da família e pelas unidades básicas. O CMEM possui equipe multidisciplinar composta por médicos cardiologistas, nefrologista, enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, psicólogos, farmacêuticos, fisioterapeutas e educadores físicos.

No Ermírio de Morais, é fornecida medicação gratuita e são feitos exames laboratoriais e cardiológicos (teste ergométrico, ecodopplercardiograma, eletrocardiograma e holter 24h). Ainda funciona no local uma equipe do Programa Academia da Cidade, em que todos os usuários têm hipertensão e/ou diabetes.

Protocolo
Em dezembro do ano passado, a Secretaria de Saúde do Recife lançou o Protocolo Municipal de Acompanhamento da Pessoa com Diabetes e/ou Hipertensão na Atenção Básica, como estratégia do Plano de Enfrentamento às Doenças Crônicas Não Transmissíveis, instituído na capital pernambucana em 2015. Nele, há orientações para abordagem dos usuários com doenças crônicas não transmissíveis; identificação de fatores de risco e consulta para rastreamento dessas doenças; informações sobre diagnóstico e tratamento da diabetes e hipertensão, além de orientações para os auxiliares de enfermagem, dentistas e agentes comunitários de saúde. O protocolo também traz a Caderneta de saúde da pessoa com hipertensão e diabetes.



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