Mobilidade Integração temporal na Estação Recife é adiada

Publicado em: 22/04/2019 22:05 Atualizado em: 23/04/2019 14:47

Foto: Karina Morais/Esp.DP.
Foto: Karina Morais/Esp.DP.
A integração temporal entre metrô e ônibus na Estação Recife, que começaria nesta terça-feira (23), foi adiada para o próximo dia 30. Segundo a Companhia Brasileira de Trens Urbanos e o Consórcio Grande Recife, ao se iniciar a implantação da operação definitiva, foi constatado que os banco de dados dos dois órgãos não conseguiam se comunicar, o que inviabilizaria a operação. 

“A CBTU Recife e o Consórcio Grande Recife informam que ao iniciar a conversão entre os sistemas gerados pela Urbana e pela CBTU para implantação da integração temporal no Terminal Integrado de Recife foi constatado que os códigos gerados pelos dois bancos de dados não se comunicavam.  Um esforço conjunto está sendo feito para que a integração tenha início no dia 30 de abril. Até lá terão continuidade as ações educativas de orientação aos usuários”, disse a nota.

Segundo o superintendente da CBTU, Leonardo Villar Beltrão, nos primeiros testes não haviam sido detectados os problemas que apareceram depois. “Já fizemos integrações temporais na estações do Largo da Paz, em 2018, e de Cavaleiro, em 2017, e não houve esse problema, porque na Estação Recife existe um grande número de linhas circulando. Para resolver o problema, está sendo gerado um banco de dados onde serão inseridas todas as linhas”, disse Leonardo. 

A empresa responsável pela criação dessa nova matriz é a Pró-Data. “Baseado nesses dados, teremos mais informações para estimar quando a temporalidade será implantada nas demais estações”, completou o superintendente. 

Quando a Estação Recife começar a funcionar com esquema de integração temporal, cerca de 45 mil usuários que circulam diariamente pela estação irão realizar a integração metrô/ônibus exclusivamente com o Vale Eletrônico Metropolitano (VEM), seja Comum, Trabalhador, Estudante ou Livre Acesso sem que seja debitada uma nova tarifa no segundo embarque dentro do período de duas horas.

A ação visa coibir a evasão de receita resultante da entrada irregular de passageiros através dos portões do terminal integrado. Duas estações do metrô do Recife já funcionam com integração temporal: Cavaleiro, na Linha Centro, e Largo da Paz, na Linha Sul.
Ao sair do metrô e desembarcar no terminal integrado de Recife, os usuários das linhas 101 - Circular (Conde da Boa Vista / Rua do Sol); 104 - Circular (IMIP); 107 - Circular (Cabugá /Prefeitura); 116 - Circular (Príncipe); e 117 - Circular (Prefeitura/Cabugá), devem embarcar pela porta dianteira dos ônibus e passar o cartão no validador. De igual modo, ao desembarcarem no terminal, devem passar o cartão nos validadores da Estação.

Para melhorar a receita do metrô do Recife, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) aposta em um maior controle do acesso dos usuários ao sistema. Uma porta escancarada para a entrada de passageiros sem pagar, segundo a direção do Metrorec, são as integrações. As falhas na segurança da integração ônibus/metrô resultam numa perda de cerca de R$ 200 mil por mês só na Estação Recife. 

A estimativa é que uma média de quatro mil usuários acesse a integração passando pelos portões da área de embarque e desembarque dos ônibus, sem que a segurança do Grande Recife Consórcio de Transporte Metropolitano consiga impedir. As negociações junto ao Consórcio tiveram início em janeiro deste ano e, apesar da resistência da empresa, o metrô decidiu implantar o modelo de integração temporal na estação Recife.

Das 15 estações integradas do metrô com os ônibus, já foram feitas integrações temporais em Cavaleiro, onde se reduziu em 400% a evasão de receita, e no Largo da Paz, com queda de 20%. Na integração temporal, o usuário que paga pelo VEM tem até duas horas para usar o metrô, após descer do ônibus, ou pegar um coletivo em qualquer lugar da cidade depois de descer do metrô. O sistema permite essa integração apenas com o cartão VEM. Nesse caso, o passageiro que chegar de ônibus paga a passagem com o cartão e, para entrar no metrô passa pelas catracas na entrada principal, usa novamente o cartão. A leitura magnética identificará que se trata de um usuário originário da integração e a entrada é automaticamente liberada.

O Terminal Integrado do Recife tem seis linhas que transportam por dia cerca de 23 mil passageiros. Desse total, 5,2 mil pagam em dinheiro. Na prática, ficariam impossibilitados de acessar a catraca do metrô pela falta do cartão VEM. Já os usuários que adquirirem o cartão nas bilheterias do metrô também não teriam como integrar com as linhas de ônibus. A empresa sugere na nota que “o restabelecimento das discussões relativas à implantação da integração temporal e adiamento para janeiro de 2019 para aproveitar o período de férias.” A direção do metrô informou pela assessoria de imprensa que a decisão está mantida.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.