Educação Hospital do Câncer abrirá doutorado em parceria com a Unifesp

Publicado em: 30/03/2019 10:00 Atualizado em: 26/03/2019 20:08

Crédito: Peu Ricardo/DP Foto
Crédito: Peu Ricardo/DP Foto
Um novo curso de doutorado para profissionais de saúde e interessados em realizar pesquisa na área começará em Pernambuco. Por meio do Doutorado Interinstitucional (Dinter), um programa de apoio à realização de cursos de pós-graduação stricto sensu da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Hospital de Câncer de Pernambuco e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) irão abrir vagas para o doutorado em medicina translacional. Com edital previsto para ser publicado até o fim de abril, o programa ofertará vagas para pesquisadores interessados em realizar estudos sobre o câncer. A ideia é formar corpo docente para a criação, no futuro, do primeiro programa de pós-graduação stricto sensu em oncologia do Nordeste.

Serão abertas 10 vagas, a serem preenchidas prioritariamente por profissionais que atuam dentro do HCP. A seleção considerará currículo, resultado em provas de idiomas, de conhecimentos e uma entrevista. A previsão é de que as aulas comecem em agosto deste ano. De acordo com a modalidade Dinter, as disciplinas serão ministradas por professores da Unifesp, que virão ao Recife para as cadeiras obrigatórias. Os alunos também poderão optar por realizar eletivas em Pernambuco ou São Paulo e terão 48 meses para finalização do curso. Detalhes sobre os valores, carga horária e grade serão disponibilizados no edital.

A modalidade Dinter permite que instituições de ensino com programa de pós-graduação stricto sensu nacional avaliado pela Capes abram turmas fora da sua dependência, atuando como instituição promotora. “O Hospital de Câncer será a instituição receptora, com a proposta de otimizar a expertise que temos na área e direcioná-la para a criação do programa de pós em oncologia. No Brasil, hoje, só existem cinco programas do gênero e todos concentrados na região Sudeste”, explicou o assessor da superintendência de Ensino e Pesquisa do HCP, Guilherme Costa.

A medicina translacional é uma área de estudos que intersecciona os conhecimentos da pesquisa básica com a pesquisa clínica, com o objetivo de acelerar a transmissão de conhecimentos, aprofundar as observações clínicas e aplicar na sociedade os conhecimentos produzidos. No caso do HCP, a ideia é também impulsionar pesquisas que já são realizadas, por meio de outros convênios, na instituição. Dentre elas, nas áreas de câncer de mama, de pênis, melanoma e gástrico. “Também temos um acervo de banco de dados grande, fruto dos atendimentos que realizamos no hospital. Os profissionais estarão na fronteira do conhecimento e em contato constante com a pesquisa e a prática”, afirmou a coordenadora da pós-graduação stricto sensu e do Dinter com a Unifesp em Pernambuco, Leuridan Torres.

Atualmente, o HCP tem um convênio para formação de 14 doutores e sete mestres com o Hospital A.C Camargo Cancer Center, de São Paulo. “Com a formação de outros 10 profissionais e a produção científica conjunta, começamos a nos habilitar para poder criar nosso próprio programa, criamos um ciclo de geração de conhecimento”, acrescentou Guilherme Costa. “Isso também irá qualificar a assistência e melhorar a infraestrutura tecnológica disponível o hospital”, disse Leuridan Torres. O HCP é responsável pelo tratamento de mais de 50% dos pacientes oncológicos de Pernambuco, realizando cerca de mil atendimentos todos os dias. Com mais de 20 especialidades médicas e de reabilitação, e 840 profissionais de saúde, realiza mensalmente 5 mil radioterapias, 3,7 mil quimioterapias, 1,3 mil atendimentos de urgência e 684 cirurgias. 



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