Cais José Estelita Consórcio pretende finalizar demolições de armazéns até a próxima terça-feira

Publicado em: 29/03/2019 15:09 Atualizado em: 29/03/2019 15:25

Crédito: Mandy Oliver/Esp. DP
Crédito: Mandy Oliver/Esp. DP
O Consórcio Novo Recife pretende terminar o processo de demolição dos armazéns do Cais José Estelita até a próxima terça-feira (2). Por volta das 9h desta sexta-feira (29), foram retomados os serviços de limpeza do terreno, com uso de máquinas para retirar os entulhos gerados pela derrubada dos outros galpões. De acordo com o cronograma das empresas, as obras de fundação e estaqueamento dos três primeiros edifícios do conjunto serão iniciadas dentro de até cinco meses, no segundo semestre deste ano. O consórcio alega que existem dois alvarás em vigor, um de demolição e outro aprovação do projeto. O segundo permitiria o início das obras de fundação.

A primeira etapa do projeto do Cais José Estelita é constituída, de acordo com o representante do consórcio, Eduardo Moura, pela construção de três edificações. Uma de 19 andares e outras duas torres de 37 andares, totalizando 440 apartamentos de um, dois e quatro andares. “Nós já temos as licenças ambientais, do Corpo de Bombeiros e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Entramos com o pedido de alvará de construção há 60 dias, mas a rigor não temos pressa, já que essa etapa só deve começar em um ano”, afirmou.

Segundo ele, as demolições pendentes não serão realizadas se colocarem em risco a vida dos participantes do Movimento Ocupe Estelita, que permanecem acampados do lado externo do terreno, na lateral do armazém ainda de pé. O Consórcio deu entrada com um pedido de reintegração de posse, para retirada dos manifestantes do local, que permanece em julgamento. “Temos duas máquinas funcionando, mas não temos urgências de demolir. A ideia não é ninguém  machucado. Retomamos o trabalho de limpeza e pequenas demolições mais fáceis”, complementou Eduardo Moura.

Nesta sexta-feira (29), uma fila de pessoas querendo deixar currículo voltou a se formar em frente ao terreno. Em dois dias, o Consórcio recebeu 2.107 currículos. Entre as pessoas que procuram uma vaga na obra está o porteiro Francisco de Souza, 41. “Estou desempregado há quatro meses, por isso cheguei hoje aqui às 6h30”, contou. De acordo com ele e o ajudante técnico de pedreiro, Eduardo Falcão, 30, o Consórcio não deu prazo para chamar os interessados. “Estou há três anos desempregado e soube da vaga por um amigo. Me disseram para ficar no aguardo, mas, de qualquer forma, já é uma oportunidade”, contou.

Para a primeira etapa de construção, o Consórcio estima que irá precisar de 500 trabalhadores. Cerca de 10 deles serão chamados na próxima semana, se cumprido o cronograma das empresas, para início da construção do canteiro de obras, limpeza dos espaços, instalação de stands de vendas. No período de fundação, serão mais 100 convocações, estimam os representantes. Outras 70 pessoas já estariam atuando no local desde a liberação do avará de demolição. 

Consórcio condiciona parte da obra à venda de apartamentos nos primeiros prédios erguidos

Segundo Eduardo Moura, o empreendimento Novo Recife é dividido em seis etapas. Na primeira etapa, também consiste a realização de um sistema viário para o cais, que substituirá as vias atuais. A segunda etapa compreende a criação de um parque linear. Também estão previstos a retirada do Viaduto das Cinco Pontas, a construção de um museu e outros equipamentos, como 200 habitações populares. Porém não há uma data para que tudo esteja pronto, o prazo “dependerá do mercado”, explicou o representante do consórcio.

“Toda essa energia que vai fazer essas obras, tanto dos prédios como da área pública, é do próprio empreendimento. Então, só se faz as etapas de benefício urbano e de própria construção do prédio com as vendas dos próprios prédios. Se não tiver venda, não tem nada. Não tem negócio, não tem emprego, não tem obra. Se a gente não vender ele todo, vamos parar na primeira etapa”, explicou Eduardo Moura. 
 
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Ocupe Estelita realizará atividades no fim de semana no cais
Crédito: Mandy Oliver/Esp. DP
Crédito: Mandy Oliver/Esp. DP

Depois que Justiça suspendeu os efeitos da liminar da 5ª Vara da Fazenda Pública e permitiu a continuidade das demolições, na noite dessa quinta-feira (28), os participantes de Movimento Ocupe Estelita reafirmaram o desejo de permanecer acampados em frente aos armazéns. Um grupo de cerca de 60 pessoas está no local desde a última segunda-feira. Neste fim de semana, eles pretendem realizar uma série de atividades, para evidenciar os potenciais de uso do espaço, condensando propostas que teriam sido apresentadas ao poder público ao longo dos últimos sete anos.

“O que aconteceu ontem (quinta-feira) foi algo lamentável vindo da prefeitura e das empreiteiras. A gente está sem dormir, pois havia um risco de reintegração de posse. Acordamos hoje pela manhã com eles abrindo tapumes, cobrindo parte da ocupação e reiniciando as ações das máquinas. Estamos em um nível de estresse causado pela prefeitura e o consórcio, mas com a certeza de que a ocupação permanecerá, pela ideia de que um novo cais é possível”, afirmou a cineasta Inês Maia, integrante do movimento.

“O movimento Ocupe Estelita foi que iniciou o debate sobre as intervenções no cais. Obviamente, esse projeto tem um mal de origem, que é a ilegalidade do leilão, e uma sequência de ilegalidades que estão representadas em mais de 10 processos judiciais. Politicamente, a gente acha que aqui é um espaço para ser produzido coletivamente, com participação popular efetiva”, acrescentou o cineasta Pedro Severien, integrante do Ocupe Estelita. O grupo também questionou o uso midiático da situação de desemprego, se solidarizou com os trabalhadores que permaneciam na fila e fez um convite público para que o prefeito do Recife visite o local.  



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