Boa Viagem Dia D para moradores do edifício Holiday Termina hoje o prazo dado pela Justiça para desocupar o prédio, enquanto força-tarefa tenta deixá-lo em condições de habitabilidade

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/03/2019 14:16 Atualizado em: 20/03/2019 14:23

Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP.
Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP.
No dia em que termina o prazo dado pelo juiz Luiz Rocha, da 7ª Vara da Fazenda Pública, para desocupação total do Edifício Holiday, em Boa Viagem, Zona Sul do Recife, uma força- -tarefa montada por engenheiros e advogados voluntários entrega na manhã de hoje um pedido formal de reconsideração da decisão do magistrado. O documento vem embasado por um laudo técnico que contém todos os reparos feitos no prédio desde a decisão judicial de interdição. Caso o pedido não seja aceito pelo juiz Luiz Rocha, acabará o prazo para a desocupação voluntária e, a partir das 0h de amanhã, forças policiais poderão atuar na retirada dos moradores remanescentes.

Segundo o síndico José Rufino Neto, até a noite de ontem, cerca de 80 famílias ainda estavam vivendo nas dependências do Holiday. “O mais importante a ser frisado é que, além do lixo que está sendo retirado, das gambiarras, dos botijões, estamos fazendo a reintegração da rede elétrica de baixa tensão para que tenha condições de receber a rede de alta tensão da Celpe. A retirada do gerador também está no cronograma para esses dias. Estamos em um verdadeiro canteiro de obras no Holiday desde que a Celpe interrompeu o fornecimento”, disse o engenheiro voluntário Lupercio Luizinês.

A equipe que está atuando nesta força-tarefa é formada por dois engenheiros, duas arquitetas, dois técnicos em eletrotécnica e um grupo de ad- vogados. “É importante lembrar também que todos esses profissionais que estão participando dessa força-tarefa para a recuperação do Holiday são gabaritados. Boa parte do que poderia potencializar o sinistro de incêndio foi eliminada. E nós temos várias técnicas que podem ser utilizadas para efetuarmos um restauro sem a completa desocupação”, defendeu Lupercio. Segundo ele, pelo menos até o quinto andar, foi passado um “pente fino” nas gambiarras e não resta mais nenhuma. A briga de braços no Holiday é a possibilidade de recuperação do prédio sem que a haja a completa desocupação, já que muitos moradores já se mudaram.

Em reunião ontem pela manhã, na Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Olinda e Recife, a comissão do Holiday discutiu a possibilidade de colocar um gerador para operar bombas de água e elevadores. “Até o problema elétrico ser resolvido, é colocado um gerador para garantir a mobilidade pelo elevador e o funcionamento das bombas de água”, disse a advogada voluntária Maíza Amaral. A recuperação do sistema elétrico, diz ela, pode ser feita andar por andar.

PROTEÇÃO

Um grupo de vereadores da Câmara do Recife está analisando o Edifício Holiday do ponto de vista histórico para tentar incluir a construção entre os Imóveis Especiais de Preservação. “ A inclusão permitirá também a captação de financiamento para recuperação e manutenção do prédio e garantir a habitabilidade do condomínio”, disse o vereador João da Costa (PT). O prédio também foi tema de audiência ontem na Assembleia Legislativa. A presidente da Comissão de Cidadania, Jô Cavalcanti, do mandato coletivo Juntas (PSOL), solicitará o tombamento do imóvel e envolverá o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) na questão.

Bombeiros querem garantias

Durante a reunião de ontem na Cúria, representantes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil disseramque as medidas tomadas até agora não são suficientes para suspender a desocupação. O comandante dos Bombeiros, Manoel Cunha, frisou que o risco de incêndio no nível quatro continua, mesmo com o desligamento da energia. Ele ressaltou a necessidade de outras intervenções para uma sensação mínima de segurança. “Esse laudo só pode ser feito se tiver mudanças estruturadoras, como toda a parte elétrica refeita, além do sistema de proteção contra incêndio e da manutenção da fachada e das partes onde há ferro aparente.”

O juiz Luiz Rocha determinou a desocupação a partir de ação movida pela Prefeitura com base em laudo do Corpo de Bombeiros. O relatório de mais de 500 páginas está sendo elaborado desde 2016. Foram identificadas 22 situações de risco, como incêndio, falta de hidrantes, sistema de pararaios sem funcionamento, ligações elétricas precárias e oito mil kg de gás nas dependências do Holiday.



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