Justiça Acusado de matar Alice Seabra já está na Câmara de Itapissuma onde será julgado Gildo Xavier chegou escoltado pela polícia e não falou com os repórteres que estavam na porta do prédio

Publicado em: 22/05/2018 07:42 Atualizado em: 22/05/2018 09:32

Irmã e mãe de Maria Alice acompanham o julgamento. Foto: Marlon Diego/Esp DP
Irmã e mãe de Maria Alice acompanham o julgamento. Foto: Marlon Diego/Esp DP

O acusado de assassinar a estudante Maria Alice Seabra, de 19 anos, o pedreiro Gildo da Silva Xavier, 36, já chegou a Câmara Municipal de Itapissuma, onde será julgado nesta terça-feira pelo crime. Gildo, que está recolhido no Cotel, chegou escoltado por policiais. Abordado pela imprensa na porta do prédio, ele baixou a cabeça e não falou nada aos repórteres. A mãe de Alice Seabra, ex-companheira dele, Maria José de Arruda, também estava na porta da câmara. Inconformada, ela lamentou a morte da filha mais uma vez e disse que espera, ansiosa, por Justiça nesta terça-feira. O promotor do caso será Alexandre Saraiva, que deve pedir a punição máxima, de 35 anos, pela morte da jovem. O corpo de jurados é composto apenas por mulheres. A expecativa é de que o júri inicie às 8h e dure o dia inteiro. 
 
A mãe de Alice Maria José de Arruda está bastante emocionada. Ela está acompanhada daa irmã de Maria Alice, Maria Angélica de Amorim. "Só quero que ele seja condenado pelo que fez. Perdi minha filha, vítima de um crime tão covarde. Ele mesmo preso, já reconstituiu a vida, está com outra mulher e teve até um filho. Enquanto, minha família ficou arruinada", comentou Maria José de Arruda. O caso despertou interesse da população. Estudantes de direito também acompanham a sessão, na Câmara de Vereadores de Itapissuma

A delegada Gleide Ângelo, que investigou o caso e vai prestar depoimento durante o júri. Foto: Marlon Diego/Esp DP
A delegada Gleide Ângelo, que investigou o caso e vai prestar depoimento durante o júri. Foto: Marlon Diego/Esp DP

A delegada Gleide Ângelo, que investigou o caso e prendeu Gildo Xavier, também prestará depoimento durante o julgamento. Ao chegar ao júri, a delegada comentou que a maldade foi o que mais lhe chamou atenção durante a investigação. "Eu passei três dias nos canaviais procurando a vítima. Então, eu senti junto com a mãe a dor de procurar e acreditar que Alice poderia estar com vida. O que me impressionou foi a frieza como ele justificou toda a barbárie que fez, de forma tão simplista. Esse foi o primeiro caso de feminicídio que investiguei na minha vida. A lei entrou em março e o crime ocorreu em junho. Eu não tinha naquela época a consciência do que é o machista, agressor, o homem que mata mulher. E agora, posso enxergar a forma de como ele tinha esse desejo sexual e pra conseguir o que queria, faz qualquer coisa, inclusive matar. Eu estou revoltada, porque ele não era padastro, porque quem cria desde os quatro anos é pai. Ele era o pai dela e pai tem dever de cuidar. E ele inventou de procurar um emprego pra ela, um grande sonho de uma jovem. E levou ela pra morte. Tudo premeditado. Ele é um homem mal", disse. 

Gildo Xavier foi denunciado pelo Ministério Público de Pernambuco (MPPE) por homicídio quadruplamente qualificado (motivo torpe, tortura ou outro meio cruel, emprego de asfixia, feminicídio, emboscada que impossibilitou defesa da vítima), sequestro com finalidade libidinosa, estupro com o agravante de ser padastro da vítima e ocultação de cadáver. O crime aconteceu no dia 19 de junho de 2015. 
 
Maria Alice de Arruda Seabra Amorim tinha 19 anos quando foi assassinada pelo padrasto. Com a intenção de abusá-la sexualmente, Gildo inventou que a estudante tinha sido convidada para uma entrevista de emprego e se ofereceu para levá-la no bairro da Ilha do Leite. Mas na verdade, ele a conduziu para a rodovia BR-101, onde a estuprou e em seguia matou a enteada asfixiada. Gildo ainda decepou a mão de Maria Alice, e depois, fugiu para a cidade de Aracati, no Ceará, onde foi preso. 
 
O corpo da jovem foi encontrado cinco dias após o seu desaparecimento, nas terras do Engenho Burro Velho, em Itapissuma. Gildo acabou confessando à polícia, que passou dois meses planejamento o crime, motivado pelo interesse sexual que nutria pela enteada há três anos. 


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