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Medo Assalto seguido de estupro revela rotina de insegurança e violência na UFPE Estudante denunciou o caso pelo Facebook e prestou queixa na 1ª Delegacia da Mulher

Publicado em: 22/09/2015 08:04 Atualizado em: 24/09/2015 12:23

O relato sobre um assalto seguido de estupro sofridos por uma estudante da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) nas proximidades do campus Recife trouxe à tona uma rotina de insegurança e violência na localidade.O texto, postado nas redes sociais traz o depoimento da vítima que, além de denunciar o caso e cobrar providências pelo Facebook, também prestou queixa na 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro.

Vítima prestou queixa na 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro.  Foto: Reprodução/ Facebook
Vítima prestou queixa na 1ª Delegacia da Mulher, no bairro de Santo Amaro. Foto: Reprodução/ Facebook
 

O caso aconteceu por volta das 20h do dia 29 de agosto. Depois de descer de um ônibus às margens da BR-101, no caminho para seu apartamento, no Engenho do Meio, a estudante foi abordada pelo suspeito, que pediu a mochila e disse que estava armado. Mesmo após entregar os pertences,a jovem continuou sendo seguida pelo assaltante, que colocou um braço sobre seu ombro, para não levantar suspeitas. Ao passar pelo terreno da UFPE onde fica instalada a antena da Rádio Universitária AM, o agressor estrangulou e estuprou a estudante, que se fingiu de morta para que o suspeito fosse embora para procupar ajuda. Além do trauma, a universitária ficou com vários hematomas pelo corpo, teve derrame ocular. Com medo, decidiu voltar para a cidade onde a família mora e desistir de estudar.

Além do trauma, a universitária ficou com vários hematomas pelo corpo, teve derrame ocular. Foto: Reprodução/ Facebook
Além do trauma, a universitária ficou com vários hematomas pelo corpo, teve derrame ocular. Foto: Reprodução/ Facebook

A polícia civil confirmou que está investigando o caso. Alunos da universidade programam para esta semana reuniões com a administração para cobrar medidas de segurança. A UFPE divulgou uma nota sobre o caso. Confira o documento na íntegra:

A UFPE, diante da agressão sofrida por uma de suas estudantes de Biomedicina, em 29 de agosto, vem a público informar os seguintes fatos:
Após o lamentável episódio, a estudante procurou a direção do Centro de Ciências Biológicas, sendo então acolhida pela diretoria do centro e pela coordenação do curso.  A estudante foi imediatamente encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde foram realizados os primeiros exames.
Desde o dia 1º de setembro, ao tomar conhecimento da ocorrência, a Superintendência de Segurança Institucional (SSI) da UFPE iniciou as investigações para verificar com precisão o que de fato aconteceu, sempre trabalhando em parceria com a delegacia da Várzea. A SSI vem acompanhando toda a ocorrência junto à Delegacia da Mulher. O boletim de ocorrência foi registrado pela estudante no dia 16 deste mês.
Entre os dias 2 e 14 de setembro, a Pró-Reitoria para Assuntos Estudantis (Proaes) esteve em contato permanente com a estudante e ofereceu apoio psicossocial. Em 9 de setembro, a estudante também foi ouvida por membros do Gabinete do reitor.
A UFPE lamenta profundamente a agressão sofrida pela estudante e esclarece que tem 193 vigilantes terceirizados e 300 servidores federais dedicados à segurança institucional, 12 carros e 13 motos voltados à proteção da comunidade acadêmica e do patrimônio dos seus três campi, em um esforço integrado com os órgãos de segurança pública do Estado.

Infelizmente, todo esse aparato não foi suficiente para impedir a covarde agressão. Além de prestar toda a assistência possível à vítima, a UFPE reafirma seu compromisso em aperfeiçoar pessoal e estratégias de segurança dos campi.

Agressor estrangulou e estuprou a estudante. Foto: Reprodução/ Facebook
Agressor estrangulou e estuprou a estudante. Foto: Reprodução/ Facebook

Confira, também na íntegra, o relato da vítima:


 “No dia 29/08 eu saí do apartamento onde morava (localizado atrás do prédio da Sudene, no bairro Engenho do Meio) para resolver algumas coisas pessoais e quando estava retornando para casa, aproximadamente às 20:30, desci do ônibus BR-101, indo em direção ao TI Macaxeira, no ponto depois da reitoria, quando percebi que tinha um homem no ponto. Sempre fui muito atenta com essas coisas. De primeira eu saí andando na direção da minha casa, quando vi que ele andava apressadamente na mesma direção e entrou naquele beco que leva para a rua que tem os bancos. Logo de cara resolvi mudar o meu caminho e fingi que ia para a direção da Federal, atravessando e passando por baixo do viaduto. Ao olhar para o lado e não ver mais o indivíduo, eu resolvi voltar pro meu caminho e entrei no beco, mas não percebi que o mesmo ainda encontrava-se ali, agachado, fingindo que amarrava o tênis. Ao me ver, ele veio correndo e me abordou. Pediu para dar a minha mochila. Eu, preocupada com alguns materiais da faculdade que estavam comigo, falei que só queria pegar a minha pasta. Ele exigiu que eu desse tudo de valor que eu tivesse, e eu só tinha dinheiro. Então, ele me ameaçou dizendo que estava com uma arma e me mataria se eu fizesse algum barulho. Em seguida me mandou correr e não olhar para trás e quando eu ia fazer isso ele mudou de ideia e me mandou andar ao seu lado como se nada estivesse acontecendo. Fomos na direção do viaduto, ele segurava na minha mão, não permitindo que eu me soltasse dele de maneira alguma. Quando atravessamos a rua ele insistiu para que fôssemos para aquele espaço embaixo do viaduto, que está cheio de entulho, e eu dizia para irmos na outra direção porque era o caminho da minha casa (afim de conseguir tempo). Voltamos para o beco e caímos na rua dos bancos e a partir desse momento ele estava com o braço por cima dos meus ombros me pressionando contra o seu corpo para que eu não conseguisse fugir. Fomos andando e ele perguntava coisas pessoas como “onde eu morava”, “de onde eu era”. Eu menti em tudo e até fingi estar passando mal para ver se ele me soltava, mas de nada adiantou. Conforme íamos caminhando ele me mantinha cada vez mais próxima da calçada a minha direita e quando ele percebeu que havia uma entrada livre para um matagal (área onde está situada a antena AM da UFPE, fato que eu só soube quando procurei ajuda na Proaes) ele me estrangulou e depois disso desmaiei. No momento que recobrei meus sentidos o primeiro impulso que tive foi me levantar e quando ele viu isso veio para cima de mim novamente ameaçando me matar se eu falasse alguma coisa e me imobilizou com um mata-leão. Depois desse momento tenho vagas lembranças do que aconteceu. Lembro-me de ele ter tirado a minha calça e minha calcinha e de iniciar o ato sexual, eu sentia alguma dor, mas não sabia de onde vinha. Lembro que ele puxava o meu cabelo com muita força e isso piorava a minha tentativa de respirar. Eu escutava ele falando algumas coisas, porém não conseguia distinguir as palavras, estava completamente fraca, sem movimento nenhum, e sem ar. Não consigo me lembrar se ele me estrangulou novamente. Durante todo o período que ele abusou de mim eu estava semiconsciente, ouvia alguns barulhos mas não tinha controle nenhum do meu corpo. Ao perceber que ele havia parado e que estava cobrindo o meu corpo com algumas folhas (provavelmente ele pensou que eu estava morta), eu tentei segurar minha respiração e não me mexer para que ele fosse embora logo. Depois de uns 3 minutos aproximadamente eu resolvi me levantar e procurar por ajuda. Encontrei a minha calça, que estava rasgada, e minha calcinha no chão e procurei a saída que estava a aproximadamente uns 2 metros ao meu lado, mas era necessário fazer uma volta para sair, o mato na minha frente estava muito alto e tinham alguns pedaços de grade na frente. Eu me encontrava em uma situação horrível, estava toda suja, fedendo a merda, com arranhões pelo corpo, com o rosto todo roxo e debilitada pela falta de oxigenação.
Sei que muitos dirão “Por que você não correu?”, “Por que você não gritou?”, “Não deveria estar sozinha à uma hora dessas na rua”, “Com que roupa você estava?”, “Sabe que o caminho é perigoso, deveria ter ido por outro” e a única resposta que tenho para essas perguntas é:

NÃO INTERESSA A ROUPA QUE EU ESTAVA, SE EU ESTAVA ACOMPANHADA OU SOZINHA, O HORÁRIO E ONDE EU ESTAVA. GENTE DOENTE DESSE TIPO TEM EM TODO LUGAR E ELES NÃO ESTÃO NEM AÍ PARA ESSES DETALHES, SE ACHAM QUE CONSEGUIRÃO ABORDAR A VÍTIMA ELES O FARÃO. ESTOU MUITO CIENTE DE QUE A CULPA NÃO É MINHA NEM DE NENHUMA DAS PESSOAS QUE SOFREM COM ESSAS AGRESSÕES. A CULPA É DELES (DOENTES), SOMENTE DELES. NO MESMO DIA, APROXIMADAMENTE ÀS 13:30 DUAS ALUNAS DA FEDERAL TAMBÉM FORAM ABORDADAS PELO MESMO HOMEM, ISSO MOSTRA QUE ELE ESTAVA LÁ COM UM PROPÓSITO: QUERIA UMA VÍTIMA. EU FUI UMA, E PODE SER QUE ELE TENHA TIDO OUTRAS, INFELIZMENTE. ENTÃO, AO INVÉS DE JULGARMOS A PESSOA QUE PRECISA DE AJUDA E QUE QUER AJUDAR O SEU PRÓXIMO PARA QUE ISSO NÃO ACONTEÇA MAIS, VAMOS NOS UNIR E LUTAR POR CONDIÇÕES DE VIDA MELHORES PARA OS ALUNOS E MORADORES DA REGIÃO.

Eu quero lutar por isso para que não aconteça com nenhum cidadão. O alojamento feminino encontra-se próximo do local, essas meninas e todos os outros estudantes que moram nas redondezas da universidade estão correndo risco de vida ao irem para a aula, para o trabalho ou simplesmente resolverem os seus problemas pessoais.

Após o ocorrido eu tive algumas consequências: por causa do estrangulamento eu tive derrame ocular, não saio de casa sozinha, tive que voltar para a minha cidade, e o pior de tudo, desistir do meu sonho de me formar na UFPE. Sim, esses acontecimentos destroem sonhos e “tiram” a liberdade de viver.”


Problema recorrente - Em agosto deste ano, o Diario relatou a rotina de medo na UFPE, apontando que, pelo menos cinco mulheres poderiam ter sido vítimas de estupro no entorno do campus desde o ano passado. Um homem identificado como Geraldo Vieira da Silva, 34 anos, seria o responsável pela sequência de crimes. Ele foi detido pela Polícia Civil depois de ser reconhecido por duas das vítimas, uma delas estuprada na última terça-feira. Nos arredores do Campus Recife, o clima é de insegurança. Até o fim do ano, a universidade irá instalar câmeras para coibir a ação de criminosos, inclusive no entorno do campus, e trabalhará juntamente com a Secretaria de Defesa Social.

Na época, por meio de nota, o comando do 12º Batalhão afirmou que o policiamento é realizado por viaturas e motopatrulhamento diuturnamente. E com apoio do Grupo Tático Itinerante (Gati) da Polícia Militar, quando solicitado.

Geraldo Vieira da Silva foi detido em flagrante, após denúncia da última vítima. Ele foi reconhecido por ela e também por outra vítima, estuprada no dia 18 de maio deste ano. Além disso, foi flagrado por câmeras de segurança de uma transportadora na Avenida General Polidoro, na Várzea, onde costumada abordar as vítimas. Em uma das imagens, inclusive, aparece abaixando as roupas e mexendo nas partes íntimas do corpo de uma das mulheres.



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