deputado federal pelo psol 'O governo Bolsonaro não tem proposta para nada', diz Freixo em entrevista ao Diario

Por: José Matheus Santos

Publicado em: 01/06/2019 10:09 Atualizado em: 01/06/2019 10:24

Na visão do deputado Marcelo Freixo, única proposta do governo até o momento foi a Reforma da Previdência (Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP) (Na visão do deputado Marcelo Freixo, única proposta do governo até o momento foi a Reforma da Previdência (Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP))
Na visão do deputado Marcelo Freixo, única proposta do governo até o momento foi a Reforma da Previdência (Foto: Tarciso Augusto/Esp.DP)
A unidade da oposição diante do governo Jair Bolsonaro é um dos motes do deputado federal Marcelo Freixo (PSol-RJ) na atual conjuntura da política brasileira. De acordo com o parlamentar, os cortes na educação e a turbulência pela qual passa o governo devem servir de motivação para setores do campo político da esquerda. Em entrevista à reportagem do Diario de Pernambuco, onde esteve na última segunda-feira (27), Marcelo Freixo ainda se disse contrário à proposta da reforma da Previdência concebida pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Na visão do psolista, se o projeto for aprovado, a Previdência perderá o caráter social. Veja a íntegra da entrevista com Freixo, que se colocou ainda como pré-candidato à disputa pela Prefeitura do Rio de Janeiro. 

REFORMA DA PREVIDÊNCIA 

A Previdência não pode ser pensada separadamente da questão tributária e fiscal. Ninguém fala do déficit da saúde. Por que? Porque tem que ter saúde. Tem que ter Previdência Social também. A proposta do Paulo Guedes é do fim da Previdência Social, não de uma reforma. Ele quer substituir a Previdência por capitalização, o que deu errado no Chile e em vários outros lugares. O que queremos é fazer um debate fiscal e tributário. O Brasil tem uma carga tributária muito alta, mas a mais regressiva que tem no mundo, e ela tem que ser progressiva. Por que não se taxa grande fortunas? Por que não se taxa grandes propriedades rurais? Por que não se faz com que o imposto de renda seja cobrado sobre lucros e dividendos? São propostas tributárias que podem fazer com que a gente tenha uma arrecadação do Estado que garanta o caráter previdenciário. Temos que ter uma capacidade de arrecadação de forma progressiva para garantir o caráter social da Previdência, que é decisivo contra a desigualdade social. Se você olhar o índice de Gini, que é o que calcula a desigualdade social, o Brasil é o nono país mais desigual do mundo: 0,53 a desigualdade, que vai da escala de zero a um. Entre os idosos, o índice de Gini cai pela metade por causa da Previdência Social. 80% desse R$ 1 trilhão que o Paulo Guedes inventou que vai arrecadar recai sobre a população que ganha até dois salários mínimos. Isso não é combater privilégio. Vamos fazer um debate fiscal, tributário, que a gente consegue garantir o caráter social da Previdência. 

MANIFESTAÇÕES A FAVOR DO GOVERNO 
 
Eu acho que as ruas têm sempre legitimidade. Respeito as ruas. Mas essa manifestação não ajuda o governo a governar. Uma população que vai à rua contra o Supremo e o Congresso e estimulada pelo governo não é um papel de mediação que o governo deveria estar buscando para conseguir mediar. O problema é que é um governo que não tem proposta. Tirando a reforma da Previdência, que o mercado está apoiando e Bolsonaro pouco se envolve, eles não têm proposta para nada. Qual a proposta para educação, por exemplo? Até hoje, o ministro da Educação não falou sobre o Fundeb, que é um ponto mais importante que ele deveria estar debruçado. Mas ele está falando em cortes e em pessoas peladas nas universidades. Age como um fanático completamente irresponsável, querem acabar com políticas de cotas. A gente está esperando até agora que o governo apresente o projeto de país que eles têm. Então, a passeata de domingo é legítima, porque qualquer manifestação é democrática, mas a pauta apresentada por eles não ajuda o Congresso a se relacionar melhor com outros poderes. 

FUTURO E CRESCIMENTO DO PSOL
 
É um caminho. Aqui, a gente teve uma votação importante da Dani Portela, das meninas do Juntas, mandato coletivo de estadual. É uma experiência nova. A gente tem um setor progressista da política discutindo segurança pública, então, tem um trabalho de base com alguns resultados eleitorais. O mais importante é o partido crescer entendendo que a dor do crescimento não pode descaracterizá-lo. É crescer com base social, fazendo debate com os movimentos, ganhando mandatos e as ruas, além de espaço institucional que também é importante. 

CAMINHOS DA OPOSIÇÃO
 
Acho importante entendermos que o cenário político brasileiro muda. O PSol nasce de uma crise do PT em relação a uma reforma da Previdência do governo Lula. O PSol nunca fez parte do governo. Agora, a conjuntura mudou: tem-se uma vitória de uma extrema-direita, violenta, que não tem programa, é um retrocesso brutal. Tem cortes de educação, que é algo criminoso. Por isso, a nossa passeata foi bem maior que a passeata deles porque é uma passeata em defesa da educação pública, não tem coloração partidária, porque corte é algo criminoso. É um projeto de desconstrução. E isso traz um compromisso muito grande a nós do campo progressista e da esquerda a ter uma responsabilidade muito grande de compromisso com a democracia e reação a esses retrocessos. 

ELEIÇÕES 2020
 
Sou pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Agora, vai depender do que a gente construirá coletivamente porque tem muitos setores da sociedade chegando, a crise é muito profunda no Rio também na questão da legitimidade, porque o prefeito tem o risco de ser cassado. O nosso nome está colocado. Acho que poderemos aglutinar mais partidos, estamos em uma conversa muito grande com os setores progressistas, mas para além de partido, com intelectuais, movimentos sociais e sobre que cidade a gente quer e que espero ser possível construí-la.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.