Posicionamento Damares: números de violência contra a mulher são insuportáveis

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 06/05/2019 15:03 Atualizado em:

Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
Foto: Wilson Dias/Agência Brasil
A ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, discursou no Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania, nesta segunda-feira (6), e em seu discurso expressou preocupação com os números da violência contra a mulher. Ao citar que a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil, Damares afirmou, como ministra da área, que está desesperada com os dados encontrados. 

"Não dá mais para suportar os números de violência contra a mulher", disse. No entanto, mesmo ao se dizer aflita, Damares também afirmou acreditar no avanço do tema. "Estamos sonhando com uma nação que a mulher será protegida", disse. O Seminário Regional de Promoção e Defesa da Cidadania foi realizado pela União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais (Unale) e tratou de temas como a violência contra a mulher e prevenção ao suicídio.

Para evoluir nas políticas públicas que protegem a mulher, a ministra convocou os homens para defenderem a causa. “Se a gente se acomodar que essa é uma luta da bancada feminina, imagina no Goiás que só tem duas mulheres entre os deputados estaduais eleitos. É uma luta e causa de todo parlamento”, reforçou. 
 
Damares também negou novamente que pediu ao presidente da República, Jair Bolsonaro, para deixar o cargo. De acordo com a revista Veja, a ministra havia feito o pedido ao chefe do palácio do Planalto por cansaço e para cuidar da saúde. A ministra já havia negado em nota, mas reforçou que não irá sair do governo. “Foi um grande mal entendido e tenho saúde e energia para mais 100 anos de governo”, afirmou. 

Prevenção ao suicídio 

O ministro da Cidadania, Osmar Terra, também esteve presente no evento e falou sobre a Lei 13.819/2019, sancionada em abril, que institui a Política Nacional de Prevenção da Automutilação e do Suicídio. O texto torna obrigatória a notificação dos casos de violência autoprovocada, como o suicídio, a tentativa de suicídio e a automutilação, por estabelecimentos de ensino e de saúde públicos e privados. 

Para o ministro, uma das principais dificuldades da criação de políticas públicas na área é a qualidade da informação coletada. "Os dados subnotificados são uma dificuldade. A qualidade dos dados que temos também", analisou. O ministro da cidadania elogiou o trabalho de Damares em relação ao tema em sua fala. "Sem ela, o projeto de lei não teria sido aprovado com essa velocidade", afirmou.

A pastora concordou com o ministro ao citar a falta de dados. "Para construir políticas públicas temos que ter números. Não podemos trabalhar com achismos. Vamos ter que quebrar tabus e começar a falar sobre automutilação e suicídio", disse. 


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