Cristão, afinal, o que é ser cristão?

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista

Publicado em: 03/06/2019 03:00 Atualizado em: 03/06/2019 08:45

Semana passada, o presidente da República, em evento religioso, declarou- se cristão e ainda sugeriu que o Supremo Federal deve ter membros religiosos. Embora uma declaração de boa vontade, não basta ser padre, pastor ou Papa para ser cristão.. Independentemente da função ou cargo que defenda. Um ser é Cristão  porque exerce o cristianismo. Ser cristão significa ter Jesus Cristo como modelo e exercitar tudo aquilo que está no Evangelho. Ser cristão é amar em toda sua plenitude. Perdoar, perdoas, perdoar.  

Aliás, foi a resposta de Cristo a São Pedro. E a repreensão que o mesmo São Padro ouviu de Cristo no momento em que cortou a orelha do soldado romano. Ninguém esquece por exemplo a homenagem que o presidente prestou  a um torturador famoso e declarado no Congresso nacional. Quem carrega a tortura nas costas não é cristão.

Por tudo isso, acho a declaração a um tempo, corajosa e desrespeitosa. Não posso dizer que sou cristão porque, apesar dos meus esforços, estou muito longe de cumprir o Evangelho. E tenho muita dificuldade de perdoar. Não é só a questão de dizer eu perdôo. Mas, cultivar,  sobretudo, o sentimento do perdão, algo difícil, dificílimo, ou quem sabe, impossível. Portanto, um ministro do Supremo deve exercitar o amor, antes da lei, se lhe parecer vingança, punição indesejável. Além disso, a lei não é vingança, é a lei.

Claro, no Brasil, ou em nosso meio, muita gente confunde legislação com vingança, ou falta de. Lei não é, nem dever ser vingança. Por isso um juiz é sempre tão cuidadoso, apesar do costume e dos vícios sociais. Em muitos níveis somos vingativos. Mas um juiz cristão, basta ser cristão em suas atitudes, em seus gestos, em suas decisões.

É difícil exercitar, mas o exemplo é definitivo. Não bastasse o Evangelho, o exercício da vida mostra-se único. Em todos os momentos, Jesus foi, sobretudo, um cristão.

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