O Zeppelin e o Recife

Francisco Dacal
Administrador de Empresas e escritor

Publicado em: 29/05/2019 03:00 Atualizado em: 29/05/2019 09:02

Há 89 anos, precisamente no dia 22 de maio de 1930, chegava ao Recife, e pela primeira vez ao Brasil e a América Latina, o dirigível LZ 127 Graf Zeppelin, após percorrer 7,9 mil km, vindo direto da cidade de Friedrichshafen na Alemanha. Atracou no Campo do Jiquiá, numa torre construída com as características técnicas exclusivas para o equipamento, a única do tipo ainda existente desta memorável e curta história, resultado da engenhosidade do alemão Ferdinand Graf Von Zeppelin.  

Tendo sido decretado feriado na cidade, mais de quinze mil pessoas estiveram presentes na recepção do gigante de alumínio. Media 237m de comprimento por 30m de diâmetro. A população participou intensamente de todos os momentos que antecederam a chegada e durante sua pioneira estada na capital pernambucana. Imaginem a cena desta enorme aeronave em nossos céus... Dizem que sua sombra assustava.

A partir daí, a cada retorno, no total foram sessenta e quatro viagens – cinquenta e oito do Zeppelin e seis do Hindenburg, a última em 1937, um burburinho tomava conta da sociedade recifense.  

São encantadoras as imagens fotográficas deles sobrevoando a cidade, revelando o aspecto urbano e arquitetônico da época e algumas associadas a vários edifícios, ainda existentes, como se tivesse  combinado; como aquela sobre a abóbada da antiga sede deste periódico, na Praça da Independência.

Dois legados fazem com que o Recife tenha uma afetiva ligação com a vida dos dirigíveis. O primeiro trata-se, como já falamos, da Torre de Atracação, originalmente preservada. O segundo, de ordem cultural, a coleção do escultor e restaurador Jobson Figueiredo, um reconhecido pesquisador e estudioso do tema, de mais de 10.000 itens, entre filmes, livros, fotos, cartazes, pôsteres, cartões postais, cartas, envelopes, selos, passagens, projetos, medalhas, moedas, talheres, louças, máquinas fotográficas etc. São muitas as preciosidades do acervo, sendo este considerado, até por autoridades alemãs, que não lhes tiram os olhos, como o maior sobre assunto. Enfim, temos na nossa cidade um patrimônio cultural do mundo. O aniversário dos 90 anos desta magnífica viagem deve ser bem celebrado, em 2020, por parte dos germânicos certamente será.

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