Livro ou balbúrdia? Os meninos fizeram o quê?

Raimundo Carrero
Escritor e jornalista
raimundocarrero@gmail.com

Publicado em: 20/05/2019 03:00 Atualizado em: 20/05/2019 08:46

Sento-me para escrever este artigo e diante do tema de que tratarei pergunto-me imediatamente: lançamento de livro é celebração ou balbúrdia? Afinal, como sentenciou o ministro da educação, conhecido como o Abrahão do MEC, que o estudante universitário brasileiro faz balbúrdia para justificar um corte nas verbas, aliás, com um apelido técnico, contingenciamento – o que significa dizer o dinheiro vai faltar mas o nome é  outro. Parece bonitinho – como tudo que não presta.

Mas como a literatura sempre presta, anuncio agora a balbúrdia dos estudantes da Escola Alcides Nascimento Lins, do Governo estadual em Camaragibe, que escreveram  um belo livro de contos Eclosão da Alma, sob minha orientação na oficina de criação literária, que orientei ali por solicitação da professora Maisa Ribeiro, entre 2017 e 2018. Durante este período fui todas às sextas-feiras á escola para as aulas, na verdade análises e reflexões sobre livros e autores clássicos e consagrados.

O livro Eclosão da Ama, editado pela Bagaço, graças ao empenho de Inêz, a irmã Dulce da literatura pernambucana, está pronto e será lançado na própria Escola, a partir das 10 horas do dia 6 de junho, uma quinta-feira. Foi um esforço saudável por causa do empenho dos alunos, atentos e curiosos  apesar da balbúrdia.  

Trata-se de uma geração de estudantes que apresentam os melhores resultados. Por isso desafio críticos e estudiosos para a leitura deste livro com a marca da maturidade, em que se reflete sobre as dores da vida e da forma como enfrentá-las. Estou falando de jovens entre 15 e 19 anos matriculados na rede pública estadual, já agora a um passo do curso superior, embora nem sempre reconhecidos. E, na maioria das vezes, insultados por políticos e autoridades.

Não temos gênios nem inteligências superiores, mas jovens equilibrados que recebem boas orientações de professores, igualmente estudiosos e notáveis, muitos deles mestres e doutores, hoje destacados no interior e nos sertões, através de concursos e não por mera indicação política.

Vamos ao lançamento do livro dos meninos, reconhecendo também o esforço dos professores sob a liderança de Maisa e Josiane Mello, sem esquecer o empenho de  ex-diretor Clayton Ferreira, que merece o nosso aplauso e nosso destaque.

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