Dois nomes idênticos numa casa...

Vladimir Souza Carvalho
Presidente do TRF-5ª
vladimirsc@trf5.jus.br

Publicado em: 29/04/2019 03:00 Atualizado em: 29/04/2019 05:49

Não imaginei que um filho, com meu nome, fosse me trazer algum problema. Quando apontado o sexo masculino, me quedei a escolha que Cristiane fez: o nome seria Vladimir, despojado do sobrenome Filho ou Junior. Iana, por sinal, achou o nome de velho. Repliquei que não podia vetar a escolha da mãe. Passamos, assim, a ter dois Vladimir em casa, com uma só diferença: um, eu, antes do Carvalho, o sobrenome Souza; o outro, o sobrenome Gonçalves. Durante muitos anos vivemos tranquilamente.

Até que surgiu o primeiro problema: um convite de casamento. Ao me ser entregue, estranhei o uso de Sr. em lugar de Dr., tão típico da província. Como só conhecia o nome do pai do noivo, pensei que fosse uma homenagem oriunda do meu tempo de estudante do clássico e das várias entidades culturais das quais participamos. Fiquei de telegrafar no dia aprazado. Esqueci. O convite ficou na mesa de trabalhos, de cabeça para baixo, me utilizando do verso para anotações de acordo com o que ia escrevendo.

Passou. Algumas semanas depois, Vladimir me perguntou se tinha recebido algum convite, assim e assado. Misericórdia! Corri para cotejar o envelope do convite. Não era dirigido a Vladimir Souza Carvalho, mas a Vladimir Gonçalves de Carvalho. Não estive atento ao detalhe. Mil desculpas, humildemente, à míngua de outra atitude.

O outro problema surgiu recentemente. Ao retornar a Aracaju, na noite de uma quinta-feira, me deparei, na mesa da sala, com um envelope, e, dentro dele, um bilhete, que li, rapidamente: Vlad, um mimo para deixar sua Páscoa mais especial. Obrigada por sempre deixar minha vida mais doce e feliz. Espero que você goste. Com amor, e aí vinha o nome abreviado da remetente: Ca.  

Ficamos na cozinha conversando, esperando Vladimir, que vinha da aula, ao que, chegando, enfim, me lembrei do bilhete, perguntando quem eu tinha deixado a vida mais doce e feliz. Vladimir falou alto: o bilhete era para ele. Me mantive insignificante. A culpa é dos nomes idênticos, remédio agora sem cura. Pensei, sem abrir a boca, dando o assunto por encerrado.

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