Será que é hora de sermos pessimistas?

João Paulo S. de Siqueira
Advogado, professor, mestre em Consumo e Desenvolvimento Social, doutorando em Direito Civil e membro da Academia Brasileira de Direito Civil.

Publicado em: 28/03/2019 03:00 Atualizado em: 28/03/2019 09:19

Independentemente de qualquer conceituação legal ou doutrinária, o senso comum é eloquente ao afirmar que “somos todos iguais”. De fato, somos!!! Mas ultrapassando a retórica do discurso, a realidade que vivemos cotidianamente confirma essa certeza?

Um dos pilares do Estado Democrático e do Republicanismo é a igualdade. Mas como nossa Democracia atua para patrocinar e proteger a efetiva igualdade ou, ao menos, para minorar ou diminuir nossas latentes desigualdades?

Parece bastante nítido que vivemos num sistema político que gera e perpetua um distanciamento entre ricos e pobres. A reforma da Previdência é fundamental para o ajuste das contas públicas, mas não se fala numa efetiva e vigorosa reforma política, que é a mais urgente e necessária que precisamos.

Não falo somente em renovação do Legislativo e Executivo, trato sobretudo dos inúmeros e escabrosos benefícios recebidos por nossos políticos, que pautados na legalidade dessas benesses, apenas usufruem e nunca questionam a necessidade ou moralidade dessas vantagens. Então, façamos, nós, a análise e julgamento da questão.

Será que um país onde a esmagadora maioria dos trabalhadores recebe um pífio salário mínimo e outra enorme parcela dos brasileiros vive na miserabilidade, é justo termos uma classe política tão custosa e pouco preocupada com nossas abissais mazelas sociais?

A violência, a insegurança pública e outras tantas lástimas que nos afligem, são frutos e consequências das nossas desigualdades. Desigualdades que geram desemprego, falta de oportunidades, criminalidade, precariedade nos serviços públicos, enfim, uma sociedade pautada em desigualdades, está condenada à penúria de tantos problemas sociais em massa.

Norberto Bobbio escreveu um artigo intitulado É hora de sermos pessimistas, será que chegou o momento de nós, brasileiros, sermos pessimistas? Prefiro pensar que não. Mas já passou da hora de sermos conscientes e entendermos que a Democracia é um regime de conquistas, que precisam ser construídas cotidianamente e são pautadas em cobrança e fiscalização do poder público, ações individuais de ajuda ao próximo, sentimentos de coletividade, altruísmo, empatia e solidariedade.

Enfim, a base de uma sociedade menos desigual começa em cada um de nós. A cada manhã que acordamos, podemos e devemos fazer o certo. Então façamos, vale a pena!.

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