eleições Dinamarqueses comparecem às urnas e social-democratas são favoritos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 05/06/2019 09:44 Atualizado em:

Foto: René Schütze / Ritzau Scanpix / AFP
Foto: René Schütze / Ritzau Scanpix / AFP
Os dinamarqueses votam nesta quarta-feira em eleições legislativas, concentradas na urgência climática e nas reivindicações sociais, com os social-democratas favoritos para voltar a governar o país. Os 4,2 milhões de eleitores da Dinamarca, país membro da União Europeia mas não da zona do euro, começaram às 8H00 e devem prosseguir até 20H00 (15H00 de Brasília).

As pesquisas indicam que os social-democratas liderados por Mette Frederiksen têm 27% das intenções de voto, quase 10 pontos a mais que o atual primeiro-ministro liberal Lars Løkke Rasmussen.

A diferença é importante, pois Rasmussen governou o país durante 14 dos últimos 18 anos. "Muitos eleitores desejam uma mudança, especialmente os que devem votar pela primeira vez", afirma o cientista político Flemming Juul Christiansen, da Universidade de Roskilde.

As pesquisas mostram que 57% dos eleitores consideram que o próximo governo deve priorizar a questão climática, à frente do controle da imigração.

Os ecologistas do Partido Popular Socialista, um dos tradicionais pilares dos social-democratas, têm a possibilidade de dobrar sua votação, de 4,2% a 8,3%, segundo as pesquisas.

Os social-democratas, que se comprometeram a destacar a questão climática, pretendem formar um governo minoritário, uma tradição no país.

Desta maneira, eles devem ignorar os apelos do primeiro-ministro para a formação de um novo governo apoiado por dois blocos. "Desejamos cooperar com os partidos de esquerda e direita, analisando caso a caso, de acordo com os temas", afirmou o vice-líder social-democrata, Nicolai Wammen.

Neste cenário, o partido poderia colaborar com a direita em questões de imigração e com a esquerda em outros temas.

A fragmentação do cenário político, no entanto, poderia obrigar os social-democratas a estabelecer alianças mais permanentes e não apenas temáticas, para garantir a estabilidade do novo governo.

Apoiados por um crescimento robusto, finanças públicas saudáveis e uma situação próxima do pleno emprego, os social-democratas prometem interromper os cortes da saúde e educação no orçamento.

Mas a defesa do papel do Estado vem acompanhada da continuidade de uma política restritiva para estrangeiros como foi definida pelo Partido Popular Dinamarquês (DF), eurocético e anti-imigração.

O DF, partido de direita, é central na política dinamarquesa desde 2001 e pagou um preço elevado por seu apoio aos governos liberais na pequena monarquia parlamentar de 5,8 milhões de pessoas, 10% delas nascidas no exterior.

Segundo partido mais importante nas eleições de 2015, com 21,1% dos votos, o DF conquistou a presidência do Parlamento. As pesquisas, no entanto, mostram uma queda no apoio à formação a 10%.

Além do DF, outros dois partidos de extrema-direita estão na disputa e podem entrar no 'Folketing' (Parlamento).

Mas nenhum partido de extrema-direita apresenta qualquer tipo de programa relacionado à mudança climática, a maior prioridade dos eleitores.

O Parlamento dinamarquês tem 179 legisladores, incluindo quatro dos territórios autônomos ligados ao reino: dois pela Groenlândia e dois pelas Ilhas Faroe.

Para poder ocupar cadeiras no Parlamento, o partido precisa receber pelo menos 2% dos votos.

A participação eleitoral é tradicionalmente elevada na Dinamarca. Em 2015, 85,9% dos eleitores compareceram às urnas.


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