WikiLeaks Justiça sueca se pronuncia sobre a detenção de Assange por suposto estupro

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 03/06/2019 10:32 Atualizado em:

Foto: Justin TALLIS / AFP
Foto: Justin TALLIS / AFP
A justiça sueca se pronuncia nesta segunda-feira sobre uma possível detenção "em ausência" do fundador de WikiLeaks Julian Assange, acusado por um estupro supostamente cometido na Suécia em 2010 e detido em Londres, um prelúdio à emissão de uma ordem de prisão europeia.

A audiência no tribunal de Upsala, na presença dos advogados da defesa e da parte civil, demorou três horas. Uma decisão é esperada para as próximas horas.

A decisão dos juízes será uma etapa importante, pois caso a prisão seja aceita, a procuradoria emitirá uma ordem europeia de prisão para que Assange seja extraditado do Reino Unido para a Suécia, onde está preso.

A procuradora encarregada da instrução, Eva-Marie Persson, anunciou em meados de maio a reabertura da investigação por estupro contra Julian Assange, de 47 anos, depois de sua detenção em Londres em 11 de abril.

Uma semana depois, a procuradoria solicitou a detenção à revelia, um mecanismo do sistema legal sueco, "devido às suspeitas de estupro".

"O objetivo da detenção é permitir a conclusão da investigação e levar Julian Assange à justiça", disse nesta segunda-feira Persson diante da corte.

A prisão de Assange no Reino Unido e a reabertura da investigação na Suécia reavivou as esperanças da demandante e de sua advogada de que o fundador do WikiLeaks fosse entregue para julgamento antes da prescrição do caso, em agosto de 2020.

A demandante acusa o australiano de ter mantido relações sexuais enquanto ela dormia e sem preservativo, apesar de ela ter se negado a manter relações sexuais sem proteção em outras ocasiões.

Assange nega as acusações e diz que ela consentiu as relações e que aceitou não usar preservativo. Naquela época ele já era alvo de outra investigação por agressão sexual, que prescreveu em 2015.

A reabertura da investigação sueca sobre Assange relança também um processo judicial que se prolonga há quase uma década, durante a qual o australiano e seus simpatizantes não deixaram de denunciar uma manobra destinada a permitir sua extradição para os Estados Unidos.

Washington acusa Assange de ter colocado em risco algumas de suas fontes quando o WikiLeaks publicou em 2010 mais de 250.000 cabos diplomáticos e cerca de 500.000 documentos confidenciais sobre as atividades do exército americano no Iraque e no Afeganistão. Ele também é acusado de "complô" com a ex-analista militar Chelsea Manning, na origem do vazamento sem precedentes.

A justiça americana acusou Julian Assange em 23 de maio com base na legislação antiespionagem.


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