Acordo Guaidó e Maduro dispostos a prosseguir contatos sob mediação da Noruega

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/05/2019 23:04 Atualizado em:

Foto: Arquivo/AFP e Federico Parra/AFP (Foto: Arquivo/AFP e Federico Parra/AFP)
Foto: Arquivo/AFP e Federico Parra/AFP
O presidente Nicolás Maduro e o líder da oposição Juan Guaidó se mostraram nesta quarta-feira (29) dispostos a seguir tentando resolver a disputa pelo poder na Venezuela sob mediação da Noruega, após um primeiro encontro entre seus representantes que terminou sem acordo.

"Acredito no diálogo, nosso caminho é o diálogo, o respeito à Constituição, à  paz, à democracia", disse Maduro em rede nacional de TV.

Maduro pediu coragem à oposição: "sejam valentes, digam a verdade a sua gente, não mintam, porque a Venezuela necessita da verdade para acordos seguros de paz".

"Negociamos em segredo durante dois, três meses, e estamos sentados na Noruega. Sim, eu quero um acordo de paz para a Venezuela. Peço o apoio de todo o país, peço o apoio do chavismo".

O governo norueguês emitiu um comunicado sobre a mediação do primeiro encontro "entre representantes dos principais atores políticos da Venezuela" em Oslo. 

"As partes mostraram  disposição para  avançar na busca de uma solução acordada e constitucional para o país, que inclui os temas políticos, econômicos e eleitorais", indicou o Ministério norueguês de Exteriores.

Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido no cargo por 50 países, agradeceu a iniciativa norueguesa.

"Agradecemos ao governo da Noruega sua vontade em contribuir com uma solução para o caos que o nosso país sofre. Estamos dispostos a continuar junto deles", afirmou num texto encaminhado à imprensa.

Representantes de Maduro e de Guaidó celebraram nesta semana um primeiro encontro frente a frente sob os auspícios da Noruega, anunciado no começo de maio.

Em Oslo, "ratificamos nossa rota: cessar da usurpação (do governo por parte de Maduro), governo de transição e eleições livres, como via para solucionar a tragédia que hoje sofre a nossa Venezuela", expressou Guaidó.

"A mediação será útil para a Venezuela desde que existam elementos que permitam avançar em prol de uma verdadeira solução", continuou o líder parlamentar, que enfrentou críticas de um setor opositor contrário a um diálogo diante de várias tentativas frustradas anteriores.

Guaidó disse que de qualquer forma, o contato em Oslo "não detém os esforços da oposição em todos os âmbitos constitucionais" para forçar a saída de Maduro.

Desde que se proclamou presidente interino em 23 de janeiro, depois que o Parlamento de maioria opositora declarou ilegítima a reeleição do presidente socialista, Guaidó liderou manifestações multitudinárias, que perderam fôlego desde um motim frustrado em 30 de abril.

O líder opositor mantém todas as opções em aberto, entre elas a "cooperação internacional", enquanto mantém contatos com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, principal aliado internacional do líder opositor, que não descarta uma opção militar para solucionar a crise no país sul-americano.

"É muito difícil que nestas primeiras aproximações ocorra algo. Os atores estão em posições antagônicas", avaliou o cientista político Luis Salamanca.

"Maduro não vai negociar sua saída do governo, e essa é a aspiração de Guaidó", acrescentou o especialista.

O líder opositor disse que apesar de tudo o  contato em Oslo "não detém os esforços da oposição em todos os âmbitos constitucionais" para forçar a saída de Maduro.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.