Acordo Trump avança na promessa de indicar Brasil aliado preferencial fora da OTAN

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 08/05/2019 22:31 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)
Foto: Reprodução/Facebook
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avançou nesta quarta-feira (8) na promessa feita a Jair Bolsonaro de designar o Brasil como um aliado preferencial fora da Otan, uma indicação de que Washington está comprometido em se aproximar de Brasília. 

Trump informou nesta quarta-feira ao Congresso sobre sua intenção em relação ao Brasi, uma ideia que já havia apresentado durante a visita que recebeu do presidente Bolsonaro em Washington.

"Estou notificando minha intenção de designar o Brasil como um aliado preferencial fora da Otan", escreveu Trump num carta. 

O status de "aliado preferencial fora da Otan" daria ao Brasil facilidades para ter  armamento americanoe outras vantagens. Apenas 17 países estão neste grupo, o que faria do Brasil o segundo latino-americano, após a Argentina.

"Estou efetuando esta designação em  reconhecimento dos recentes compromissos do governo do Brasil para aumentar a cooperação em defesa com os Estados Unidos e em reconhecimento de nossos próprios interesses em  aprofundar nossa coordenação em defesa com o Brasil", destacou Trump na carta. 

No dia 19 de março, quando Trump levantou esta ideia numa entrevista coletiva com Bolsonaro no jardim da  Casa Blanca, advertiu que o caminho era longo.

"Tenho que falar com muita gente", disse Trump sobre sua ideia.

A entrada na OCDE pendente

Para Sônia Braga, especialista do centro Atlantic Council com sede em Washington, este gesto é um  sinal de que os Estados Unidos estão comprometidos em se converter num aliado mais próximo do Brasil. 

"Esta é uma forma do presidente Trump de mostrar que está disposto a ir além na relação", explicou Braga à AFP. 

A Otan tem 29 países membros. Nenhum é da América Latina e nenhum, como o Brasil, está localizado no Atlântico Sul. 

Por outro lado, a Colômbia é desde o ano passado o único sócio global da organização transatlântica na América-Latina.

Os "socios globais", aqueles países que não podem integrar outras estruturas de cooperação na Aliança Atlântica, podem contribuir para as operações e missões da Otan com a qual cooperam na base de um programa individual.

Durante a visita de Bolsonaro a Washington, ambos mandatários evocaram uma "nova parceria", num encontro marcado pelos elogios mútuos. 

Braga destacou que esta designação não é algo oficial e busca enviar uma mensagem positiva ao Brasil num momento em que Estados Unidos não podem se comprometer com o desejo de Brasília de iniciar o processo para entrar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, um clube de países ricos que inclui alguns emergentes como Chile e México. 

"Esta é uma forma do presidente Trump de enviar uma mensagem positiva, sem se comprometer em apoiar a desigação da OCDE", disse Braga. 


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