Maha Vajiralongkorn é coroado rei Rama X da Tailândia

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 04/05/2019 08:20 Atualizado em: 04/05/2019 10:20

Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP
Foto: Lillian Suwanrumpha/AFP

Maha Vajiralongkorn foi oficialmente coroado, neste sábado, rei da Tailândia sob o nome de Rama X em uma cerimônia de cores hindus e budistas no Grande Palácio de Bangcock. O novo monarca terá o desafio de unir uma Tailândia que registrou nada menos que 12 golpes de Estado desde 1932. O evento teve início às 10h09 (00h09 - horário de Brasília), horário escolhido em função dos astros por ser auspicioso para o reinado. 

O Rei Rama X, 66 anos, colocou a "Grande Coroa da Vitória", de ouro e diamantes e mais de 7 quilos de peso, tornando-se formalmente o monarca do país asiático três anos após a morte de seu pai, Bhumibol Adulyadej. Ao pronunciar seu primeiro e breve discurso real, comprometeu-se a reinar com justiça em benefício do povo tailandês. A grandiosa cerimônia de coroação do rei da Tailândia começou neste sábado, procurando encarnar a unidade de um reino dividido, que ainda espera o resultado das eleições legislativas de março.

Foto: Diogo Carvalho/Cortesia
Foto: Diogo Carvalho/Cortesia

"O Rei já assumiu o poder há dois anos, mas a cerimônia de coroação acontece somente agora quando ele recebe a aprovação do povo E dos monges para ser o representante de buda na Terra. Na cultura tailandesa, o rei não é só chefe de estado, mas também o mensageiro divino na terra", conta Diogo Carvalho que acompanha a cerimônia. Diogo foi repórter e editor do Diario e hoje mora na Tailândia. "A população acompanha a cerimônia do lado de fora do grande palácio através de telões, dentro dele estão apenas pessoas ligadas à família real e ao parlamento político. Em sinal de respeito, é mantido um silêncio insurdecedor", afirma.

Para o jornalista, a ocasião é histórica. "Não acontece há 70 anos. Todo o país está envolvido na celebração. A cidade está acompanhando de perto, o trânsito está todo bloqueado e as pessoas vestem amarelo, que é a cor da dinastia da família real".


Início da cerimônia. Foto: Diogo Carvalho/Cortesia
Início da cerimônia. Foto: Diogo Carvalho/Cortesia

A quarta esposa do novo Rei Rama X, Suthida, com quem se casou em uma cerimônia surpresa dias antes da coroação, foi vestida como rainha, ajoelhada com respeito em frente ao marido, sentado no trono.

Vajiralongkorn é conhecido como Rama X da dinastía Chakri, que reina na Tailândia desde 1782. As cerimônias deste sábado começaram com o rei vestido com uma bata branca. O monarca se banhou com água sagrada vinda de diversos pontos do país, em meio à uma salva de artilharia e cantos budistas. Para religiosos locais, a coroação de Rama X representa também a transformação do monarca de ser humano a uma figura divina. Durante o dia, Rama X ocupará o trono e receberá a Grande Coroa da Vitória, de 7,3 quilos e com um enorme diamante originário da Índia.


Foto: Diogo Carvalho/Cortesia
Foto: Diogo Carvalho/Cortesia

Cerimônia ancestral
No domingo será organizado um grande desfile com militares em uniformes tradicionais, durante o qual o monarca será transportado em uma liteira dourada, carregada nos ombros por soldados. Na segunda-feira, o novo rei aparecerá em uma das varandas do Grande Palácio de Bangcoc. Também receberá diplomatas estrangeiros em audiência. A cerimônia ancestral de três dias é inédita no país em quase sete décadas. A última vez ocorreu em 1950, com a coroação do rei Bhumibol Adulyadej.

A morte do monarca em 2016 conduziu seu filho, Maha Vajiralongkorn, ao trono, mas a coroação em si demorou quase três anos, em um país onde o calendário real segue um ritmo próprio. Os tailandeses se preparam para o evento especial há várias semanas.

Protetor
Retratos gigantescos dos rei foram instalados nas ruas da capital. "As imagens do rei são um pilar espiritual para os tailandeses. É como se estivesse ao nosso lado o tempo, para nos proteger", disse Chanan Wangthamrongwit, vendedor de fotos do monarca. De modo geral, os tailandeses passam toda a vida diante de um retrato do soberano, diante do qual devem se ajoelhar. O falecido Bhumibol Adulyadej implementou um eficiente culto à personalidade e sua foto está presente em todas as casas do país.

A popularidade de seu filho, no entanto, é difícil de avaliar, já que a discussão pública de temas sobre a realeza continua um tabu no país. Nos três anos desde a morte de seu pai, Maha Vajiralongkorn demonstrou grande habilidade tática e - assim como o pai - desempenha um papel influente além da condição de monarca constitucional. Nas recentes eleições legislativas, o rei atuou diretamente em duas ocasiões. Primeiro ele impediu o desejo de sua irmã de ser candidata ao cargo de primeira-ministra por um partido de oposição e depois enviou uma mensagem de apoio aos militares.

Os generais protagonizaram um golpe de Estado em 2014 alegando que atuavam em defesa da monarquia. A ideia foi defendida pelo partido de apoio à Junta Militar nas eleições de 24 de março. Desesperada pela ausência de resultados definitivos, a oposição tailandesa formou uma coalizão anti-Junta.

A oposição reivindica a vitória nas legislativas, mas os generais, fortalecidos pelo apoio recebido do palácio real, não mostram sinais de que estão dispostos a ceder o poder. No domingo, o comandante da junta, general Prayut Chan-O-Cha, e o comandante do exército, general Apirat Kongsompong, marcharão diante da liteira real, em uma mensagem simbólica ao país. Os militares destinaram mais de 26 milhões de euros para a cerimônia. Os organizadores esperam a participação de 200.000 pessoas na cerimônia e na procissão, mas nenhum líder estrangeiro foi convidado, de acordo com a "tradição", informou a chancelaria.

 



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