espanha Ex-professor de escola religiosa é condenado a quase 22 anos de prisão por pedofilia

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 29/04/2019 09:30 Atualizado em:

A Audiência de Barcelona (noroeste da Espanha) condenou, nesta segunda-feira, a 21 anos e nove meses de prisão um ex-professor da congregação católica dos Irmãos Maristas por abusar sexualmente de quatro alunos menores de idade, informou o tribunal.

"A Audiência Nacional de Barcelona condena a 21 anos e 9 meses um homem acusado de 4 crimes de agressão sexual, dois deles de forma reiterada", informou o tribunal em um comunicado.

Trata-se da primeira sentença no âmbito do escândalo que eclodiu em 2016 nas escolas Maristas de Barcelona, com mais de 40 denúncias contra doze professores. O escândalo serviu para romper o silêncio que imperava até então na Espanha sobre a pedofilia na Igreja.

A Audiência de Barcelona julgou Joaquín Benítez, professor de educação física laico que trabalhou durante três décadas em um colégio da ordem católica em Barcelona.

No total, foram apresentadas 17 denúncias contra o professor por abusos cometidos entre 1980 e 2010, mas a maioria prescreveu.

Os juízes o acusaram de ter se aproveitado "de sua posição como professor de educação física e da confiança dos alunos".

O tribunal considerou verdadeiros os testemunhos das vítimas ratificando a lista dos abusos que constava na ata de acusação: toques, masturbações, felações e até relações sexuais.

A maioria dos crimes teria ocorrido em sua sala, para onde Benítez chamava as vítimas sob o pretexto de fazer uma massagem se sentissem desconforto após as aulas de educação física.

Suas vítimas eram alunos com entre 14 e 15 anos.

A Audiência Nacional também impôs uma indenização de 120.000 euros que, em caso de insolvência do condenado, deverá ser paga pela companhia seguradora da escola e pela Fundação Marista, citada como parte civil.

As vítimas acusam a rede de colégios de acobertar os abusos de seus funcionários e lamentam que não esteja no banco dos réus.

Após as revelações referentes a esse caso, 43 queixas foram apresentadas contra uma dúzia de professores maristas, mas apenas Benítez e outro monitor devem responder por seus crimes, porque os demais prescreveram.

Na Espanha, o prazo de prescrição para esses crimes começa a correr quando a vítima completa 18 anos. O governo quer estendê-lo para 30 anos, embora as associações de vítimas peçam para aumentá-lo para 50.

Esta congregação católica esteve envolvida em 2017 no escândalo de abusos e suposta ocultação no Chile, com quase 150 casos abertos na Justiça, atingindo várias unidades eclesiásticas.

O caso mergulhou a Igreja do país na pior crise de sua história e forçou a renúncia de 34 bispos chilenos.

O impacto na Espanha foi menor, mas abriu a porta para uma série de revelações que levaram a Igreja espanhola a pedir desculpas em 2018 e a modificar seus protocolos de atuação para estes casos.

No entanto, a Conferência Episcopal rejeitou por enquanto investigar possíveis casos do passado, dizendo que é da responsabilidade das várias dioceses.  


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