Peru Alan García liderava grupo criminoso, segundo Procuradoria e ordem de prisão

Por: Agência Estado

Publicado em: 21/04/2019 13:15 Atualizado em:

Lima, 21 (AE) - Alan García, ex-presidente do Peru que se matou nesta semana para evitar ser preso, liderava um grupo criminoso que recebeu milhões de dólares em subornos do conglomerado brasileiro de engenharia Odebrecht SA, segundo uma autoridade da Procuradoria Geral e uma ordem de prisão dirigida a García e seus associados.

García dirigiu uma rede criminosa de oficiais corruptos durante seu segundo mandato de 2006 a 2011, de acordo com a fonte da Procuradoria e o documento de prisão de 44 páginas. Usando empresas offshore, seu círculo íntimo, incluindo um homem apelidado de Bandido pelos executivos da Odebrecht, ele teria recebido pagamentos que variam de US$ 10.000 a US$ 860.000 e televisores caros em troca de lucrativos contratos de obras públicas, alegam os promotores na ordem de prisão.

García havia negado irregularidades. Tentativas de entrar em contato com Erasmo Reyna, o advogado de García, para comentar o assunto, não tiveram resposta imediata. Reyna defendeu publicamente o falecido presidente, escrevendo em sua conta no Twitter no sábado que "Alan morreu inocente" e que os promotores eram "abusivos". Ele também disse que os promotores não haviam formalmente acusado García.

García atirou na própria cabeça na quarta-feira durante uma incursão policial em sua casa em Lima. Em uma nota de suicídio lida por sua filha na sexta-feira, García disse que tirou a vida para evitar a humilhação de outros ex-presidentes que foram presos em um escândalo de corrupção que abalou o establishment político do país. "Vi outros desfilarem algemados, vivendo uma existência miserável, mas Alan García não precisa sofrer essas injustiças", disse na nota, na qual ele também defendeu sua inocência. "Por esta razão, deixo aos meus filhos a dignidade das minhas decisões; aos meus amigos, meu orgulho; e aos meus inimigos, meu cadáver, como um sinal de meu desprezo por eles."

O grupo que Garcia liderou incluiu um ex-ministro do Transporte e um assessor principal em seu segundo mandato, de acordo com o documento de prisão. Eles supostamente conspiraram para garantir que a Odebrecht obtivesse contratos para construir o sistema de metrô de Lima e um importante projeto rodoviário. Eles também supostamente lavaram dinheiro de subornos totalizando pelo menos US$ 24 milhões apenas para o metrô, um projeto de estimação de García desde seu primeiro mandato nos anos 80. O ex-ministro e principal assessor nega irregularidades.

Uma porta-voz da Odebrecht no Peru se recusou a comentar.

A fonte do gabinete da Procuradoria-geral disse que os promotores vão ao Brasil na próxima semana para questionar Jorge Barata, ex-executivo-chefe da Odebrecht no Peru. A Odebrecht se comprometeu a trabalhar com promotores no Peru e em outros lugares da América Latina depois de admitir em um acordo judicial de 2016 o pagamento de US$ 800 milhões em propinas em toda a região.

A Odebrecht também admitiu no acordo judicial de 2016 o pagamento de US $ 29 milhões a autoridades no Peru durante três administrações. Mas a autoridade máxima disse que investigadores já descobriram mais de US$ 60 milhões em propinas e milhões em contribuições de campanha para candidatos à Presidência.

A morte de Garcia aumentou as críticas aos promotores vistos como agressivos demais e abusando do mecanismo legal da prisão preventiva, que permite às autoridades prenderem suspeitos por até três anos antes de serem acusados. Críticos dizem que é negado aos suspeitos o devido processo e a presunção de inocência. 

Promotores alegam que estão agindo legalmente e que a prisão preventiva é necessária para evitar que figuras influentes interfiram em investigações ou fujam. No ano passado, García tentou sem sucesso asilo político na embaixada do Uruguai em Lima. Promotores também dizem que a crítica é motivada pelo aborrecimento dos políticos com investigações visando a elite peruana.


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