Concessão Presidente interino da Argélia promete eleição presidencial em 90 dias

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 09/04/2019 20:03 Atualizado em:

O recém-nomeado presidente interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, se comprometeu nesta terça-feira (9) a organizar, em 90 dias, "uma eleição presidencial transparente e regular", em um discurso ao país, retransmitido pela TV nacional.

"Somos obrigados a competir, cidadãos, classe política e instituições estatais, para cumprir as condições, todas as condições, de uma eleição presidencial transparente e regular, da qual seremos todos garantidores, eleições que permitirão ao nosso povo exercer sua eleição livre e soberana", disse.

Ele também se comprometeu a organizar esta eleição em 90 dias, como prevê a Constituição.

Presidente do Conselho da Nação (Senado), Bensalah foi nomeado presidente interino uma semana após a renúncia de Abdelaziz Bouteflika, uma decisão constitucional, mas contrária ao desejo dos argelinos que exigem o fim do "regime".

Reunido em sessão plenária, o Parlamento nomeou Bensalah, de 77 anos, considerado um produto do 'sistema', para ocupar o cargo por 90 dias.

Após este período, uma eleição presidencial deverá ser organizada e, nela, Bensalah não poderá se apresentar.

Nesta terça-feira, ao meio-dia, milhares de estudantes argelinos ocupavam as ruas do centro da capital para gritar "fora, Bensalah!".

Pela primeira vez em sete semanas de protestos, a polícia usou gás lacrimogêneo e jatos d'água para tentar dispersar os manifestantes.

Apesar disso, os estudantes seguiam presentes na praça do Grande Poste, o epicentro do movimento de protesto em Argel.

O ex-presidente Bouteflika, de 82 anos, com saúde frágil desde o derrame sofrido em 2013, renunciou em 2 de abril após 20 anos no poder, sob a pressão das ruas e do Exército.

Desde 22 de fevereiro, os argelinos se manifestam contra a possibilidade de Bouteflika se apresentar para um quinto mandato nas eleições a serem realizadas em abril.

Uma semana após a saída de Bouteflika, os deputados da Assembleia Popular Nacional (APN, Câmara baixa) e do Conselho da Nação (Câmara alta) foram convocados para nomear um novo presidente interino.

Abdelkader Bensalah, presidente do Conselho da Nação por quase 17 anos, era um homem leal a Bouteflika.

"Vou trabalhar pelos interesses do povo", prometeu Bensalah ao Parlamento.

"É uma grande responsabilidade que a Constituição me impõe", acrescentou este homem que foi deputado, embaixador, senador e presidiu as duas câmaras.

O principal partido islamista da Argélia, o Movimento da Sociedade pela Paz (MSP), que apoiou Bouteflika por um tempo antes de romper com ele em 2012, anunciou na segunda-feira (8) que iria boicotar a sessão parlamentar por sua "posição contrária às exigências do povo".

Até mesmo o jornal pró-governo El Moudjahid havia sugerido na terça-feira que Bensalah fosse descartado.

"Esta personalidade (...) não só não é tolerada pelo movimento cidadão, que exige sua saída imediata, mas também pela oposição e parte dos representantes das formações políticas da maioria das duas Câmaras do Parlamento", indicou El Moudjahid.

O problema é que o chefe do estado-maior do Exército, o general Ahmed Gaid Salah, de fato o novo líder do país, exige que a sucessão de Bouteflika seja feita dentro do quadro estrito da Constituição.

Já o movimento de protesto exige instituições de transição que permitam reformas profundas e eleições livres.


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