Insistência Marechal Haftar mantém ofensiva sobre Trípoli

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 08/04/2019 20:40 Atualizado em:

O marechal Khalifa Haftar prossegue sua ofensiva para tomar o controle da capital líbia, Trípoli, apesar dos apelos internacionais para que cessem as hostilidades que já deixaram dezenas de mortos desde quinta-feira (4).

A Organização das Nações Unidas informou que milhares de pessoas fugiram da cidade diante do ataque surpresa de Haftar, que deixou dezenas de mortos.

O presidente da França, Emmanuel Macron, telefonou para o chefe do Governo da Unidade Nacional (GNA), Fayez al Sarraj, para expressar sua "rejeição total" à ofensiva de Haftar contra Trípoli, informou Trípoli. O palácio presidencial em Paris confirmou o telefonema sem dar detalhes sobre o conteúdo.

Segundo o comunicado do GNA, governo reconhecido pela ONU e pela comunidade internacional, "o presidente francês declarou sua total rejeição à ofensiva contra a capital, que coloca em risco a vida de civis, e (ressaltou) a necessidade de deter este ataque".

Haftar continua sua ofensiva, apesar da pressão internacional pelo fim de hostilidades que já deixaram dezenas de mortos desde a quinta-feira.

Os voos do único aeroporto que funciona em Trípoli foram suspensos após um ataque aéreo que atingiu uma das pistas.

O enviado da ONU à Líbia, Ghassan Salamé, condenou o bombardeio do aeroporto. Salomé "condena o ataque aéreo perpetrado hoje por um avião do ENL contra o aeroporto Mitiga, o único em operação na capital que se utiliza com fins civis", denunciou seu escritório em um comunicado.  

Apesar do temor de uma guerra generaliza neste país petrolífero, imerso no caos desde a queda de Muammar Kadhafi, em 2011, as grandes potências foram incapazes de chegar a um consenso na ONU sobre uma declaração, pedindo às forças de Haftar colocar fim à ofensiva contra a capital líbia.

A declaração, examinada neste domingo (7) pelo Conselho de Segurança, tinha entre outros o apoio dos Estados Unidos, mas foi bloqueada pela Rússia, que defende uma convocação de "todas as partes" para evitar "um banho de sangue".

UE exige fim da ofensiva

A União Europeia (UE) pediu a Haftar nesta segunda-feira (8) que detenha sua ofensiva. "Pedi muito firmemente a todos os dirigentes líbios e, especialmente a Haftar, que detenham todas as operações militares e voltem à mesa de negociações sob os auspícios da ONU", disse a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini. "Devemos evitar uma escalada militar que possa levar a uma guerra civil", insistiu Mogherini após uma reunião de chanceleres em Luxemburgo.

O marechal Haftar e seu Exército Nacional Líbio (ENL) têm o apoio político de uma autoridade com sede no leste o país. Além das regiões orientais, suas forças estenderam seu controle ao sul da Líbia e visam agora o oeste, onde está Trípoli e o GNA, apoiado por milícias do oeste. Essas forças prometeram neste domingo uma contraofensiva, chamada "Vulcão de cólera", para "limpar todas as cidades líbias de agressores".

Segundo um novo boletim do ministério de Saúde do GNA, ao menos 35 pessoas morreram e cerca de 40 resultaram feridas desde que começou a ofensiva de Haftar, na quinta-feira. Entre as vítimas há civis, segundo essa fonte. As forças pró-Haftar informaram no sábado que 14 de seus combatentes morreram.

A agência da ONU para os refugiados (ACNUR) expressou sua "preocupação" e indicou que mais de 2.800 pessoas já tiveram que ser deslocadas pelos combates.

Pedidos ignorados

 

A missão da ONU na Líbia (Manul) fez no domingo uma "convocação urgente" para uma trégua de duas horas no sul de Trípoli para permitir a evacuação de feridos e civis. Mas os dois campos rivais o ignoraram, e os serviços de socorro líbios confirmaram que não puderam entrar na zona de confrontos.

Apesar da violência perto da capital, os moradores continuam vivendo a rotina de trânsito intenso e longas filas em bancos e postos de gasolina. Os serviços públicos funcionavam normalmente, assim como as escolas e os estabelecimentos comerciais. 



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