"Hipótese" França planejou repatriar jihadistas franceses da Síria

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 05/04/2019 21:32 Atualizado em:

Christophe Castaner, ministro do Interior da França, comentou sobre a "hipótese". Foto: Reprodução/Facebook (Foto: Reprodução/Facebook)
Christophe Castaner, ministro do Interior da França, comentou sobre a "hipótese". Foto: Reprodução/Facebook
Apesar do discurso oficial, a França preparou recentemente um plano muito detalhado para repatriar todos os jihadistas franceses na Síria e suas famílias, como sugerido pelos documentos aos quais a AFP teve acesso, mas que o governo considerou "hipótese" de trabalho.

Conforme revelado pelo jornal Liberation nesta sexta-feira (5), documentos mostram que as autoridades detalharam as modalidades para o retorno dos jihadistas franceses e seus parentes atualmente detidos ou presos pelas forças curdas na Síria, segundo fontes próximas ao caso.

Em reação às revelações, o governo francês, pressionado por famílias que exigem o retorno de mulheres e crianças detidas no Curdistão sírio, recusou-se a confirmar o plano e indicou que são "hipóteses" de trabalho.

Em reação às revelações, o governo francês, pressionado pelas famílias que pedem o retorno de mulheres e crianças retidas no Curdistão sírio, se negou a confirmar um plano desse tipo e indicou que são "hipóteses" de trabalho. 

"É lógico que os serviços preparem todas as hipóteses, essa foi uma delas", disse o ministro do Interior da França, Christophe Castaner, em coletiva de imprensa no final de uma conferência ministerial do G7 em Paris. "Ele não considerou aplicar qualquer repatriação coletiva", acrescentou o ministro, que reiterou a atual doutrina do governo que decidiu repatriar apenas as crianças e "caso a caso".

Esses documentos são atribuídos aos serviços de inteligência interna da França, segundo uma fonte próxima ao caso. Eles incluem uma lista detalhando, entre o período de 18 de janeiro a 6 de março, os nomes de cerca de 250 pessoas, homens, mulheres, crianças e informações muito precisas: data de partida para a área, duração da estadia, acampamento ou local de detenção.

Há também uma coluna de "repatriação / voo", com um número de voo, 1 ou 2, o que sugere que dois aviões os levariam de volta para a França. Esses voos só se referiam a 163 pessoas até 14 de fevereiro.

No final, nenhum repatriamento em massa ocorreu, mas o governo negou na sexta-feira ter cedido a objeções públicas.

"Quando se soube que o cronograma para a reconquista das terras sírias nas mãos do Estado Islâmico e a saída dos Estados Unidos estavam acelerando, os serviços trabalharam com todas as hipóteses", disse Castaner, que mencionou o risco de "dispersão de combatentes estrangeiros".

Os documentos consultados pela AFP mostram que as autoridades estavam se preparando para assumir o tratamento judicial dos franceses do grupo Estado Islâmico (EI). Outro documento datado de 6 de março também descreve como deve ocorrer a apresentação aos investigadores e magistrados antiterroristas de 100 franceses, 37 homens e 63 mulheres. Desses, 57 têm mandados de prisão.

A justiça planejou cuidar de 149 crianças, das quais 99 de 2 a 13 anos, 30 com menos de 2 anos e 7 com mais de 13 anos, além de outras 13 crianças com idades "desconhecidas".



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