Reestruturação Por conta da violência recorde entre detentos, estado americano vai reformar prisões

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 03/04/2019 20:43 Atualizado em:

Recordes de assassinatos, estupros "em qualquer momento do dia ou da noite" e muitos casos de overdose: o governo dos Estados Unidos entregou nesta quarta-feira (3) um panorama preocupante das condições de vida nas prisões masculinas do estado do Alabama e ordenou reformas imediatas. 

Segundo um relatório do Departamento de Justiça, há problemas "graves" e "sistemáticos" em instituições penitenciárias deste estado rural do sudoeste do país.

O documento indica que as prisões locais "não protegem os detentos" e "violam a Constituição dos Estados Unidos", que proíbe o castigo "cruel".

De acordo com os autores do levantamento, as 13 penitenciárias masculinas do Alabama têm a taxa mais alta de homicídios dos Estados Unidos.

Entre janeiro de 2015 e junho de 2018, as autoridades locais registraram 24 assassinatos de detentos. Mas os especialistas do Departamento de Justiça incluíram mais quatro mortes nessa lista e culparam as autoridades estaduais de classificar alguns homicídios como mortes naturais para minimizar a gravidade da situação.
 
Alguns detentos deste estado conservador também morrem regularmente por overdose. Durante a investigação da entidade federal, pelo menos 27 presos faleceram por conta da  "incapacidade" do sistema prisional de "prevenir o tráfico de drogas". 

Em relação à violência sexual, os especialistas registraram 600 incidentes que foram denunciados e concluíram que "os abusos ocorrem nos dormitórios, celas, áreas de recreação, nas enfermarias e locais de banho a qualquer hora do dia e da noite". 

Para os autores do relatório, a violência se deve principalmente pela superlotação dos presídios do estado, com 16 mil detentos, seis mil a mais que a capacidade original.

A falta de profissionais de segurança também é outro fator que agrava a violência nestes locais. Em junho de 2018, apenas duas de cada três vagas de agentes de segurança estavam ocupadas, acarretando assim uma sobrecarga de trabalho para os profissionais lotados nessas instituições, tendo como reflexo um esgotamento físico e emocional dos seguranças e menor controle interno.


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