Exclusão Otan comemora 70 anos, mas Trump não faz parte da festa

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 01/04/2019 21:29 Atualizado em:

Foto: Agência Brasil (Foto: Agência Brasil)
Foto: Agência Brasil
Setenta anos depois de sua criação para contrabalançar o poder da extinta União Soviética, a Rússia voltou a ser prioridade na agenda da Otan. No entanto, a Aliança Atlântica enfrenta outro problema mais inesperado: as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Os ministros das Relações Exteriores dos 29 países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reunirão na quarta e quinta-feira, em Washington, para celebrar seus 70 anos.

O ressurgimento do poder russo será o tema central do encontro, em um contexto internacional de uma falsa nova Guerra Fria.

O chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, disse, em declarações ao Congresso na quarta-feira, esperar que os países possam "anunciar outra série de ações" comuns "para contrabalançar o que a Rússia está fazendo na Crimeia", península ucraniana anexada em 2014 por Moscou.

Mas se conter a Rússia é algo comum para a Otan, sua nova dinâmica interna não o é, com o presidente Donald Trump sugerindo de forma constante que seus aliados se aproveitam dos Estados Unidos.

Trump, que repreendeu no ano passado os aliados em uma cúpula na sede da Otan, em Bruxelas, tem pressionado os Estados-membros a alcançarem a meta estabelecida em 2014 de destinar 2% do PIB à Defesa.

Regularmente, inclusive, renova dúvidas sobre seu compromisso com este pilar das relações dos Estados Unidos com a Europa como quando, de forma sarcástica, perguntou se valia a pena defender pequenos Estados-membros como Montenegro.

Pompeo defendeu a postura de Washington, afirmando que se trata de "assegurar que a Otan esteja presente nos próximos 70 anos".

O chefe da diplomacia americana disse que discutirá o gasto e voltou a apontar para a Alemanha, que planeja destinar à área da defesa menos de 2% do PIB e reduzir este percentual em 2023.

"Quando falei com meus contrapartes, começaram dizendo que 'os Estados Unidos precisam fazer X e Y porque a Rússia representa uma ameaça", disse Pompeo em um fórum da revista conservadora National Review.

"Então, você pergunta a eles, 'Bem isto é incrível. Diga o que está disposto a fazer'. E eles dizem 'É difícil. Nossos eleitores simplesmente não querem gastar dinheiro com defesa militar", disse Pompeo, entre risos.


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