história Encontrada na França tumba etrusca de quase 24 séculos de antiguidade

Por: AE

Publicado em: 28/03/2019 15:49 Atualizado em:

Foto: AFP/PASCAL POCHARD-CASABIANCA
Foto: AFP/PASCAL POCHARD-CASABIANCA
Uma tumba etrusca de quase 24 séculos de idade, encontrada na ilha francesa da Córsega, com um esqueleto rodeado de louças, lança luz sobre essa civilização mediterrânea. 

"Ela data dos anos 300 a 350 antes de Jesus Cristo", segundo o tipo de cerâmica encontrada, alguns jarros com ornamentos, explica Laurent Vidal, responsável pela escavação, durante visita organizada à imprensa.

Os cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas (Inrap) da França encontraram o túmulo em um terreno particular em Lamajone, ao sul de Aléria, a dois metros de profundidade, sob uma necrópole da época romana.

Os etruscos reinaram sobre um extenso território formado pela Toscana e Lazio (ambas na Itália) até o primeiro século a.C. e depois integraram-se na república romana.

As escavações começaram em junho de 2018 e custaram 1,5 milhão de euros (1,7 milhão de dólares). Inicialmente havia 130 túmulos romanos e muitas jóias.

O mais surpreendente, no entanto, foi a descoberta de alguns degraus que levam a um corredor de seis metros de comprimento que termina em um hipogeu, uma câmara funerária etrusca escavada na rocha de pouco mais de um metro cúbico.

No momento, os arqueólogos desenterraram metade de um esqueleto, 17 cerâmicas e dois objetos de bronze que "poderiam ser um espelho", detalha Laurent Vidal.

Segundo a antropóloga Catherine Pigeade, há um único indivíduo cercado por objetos de acompanhamento funerário. "Ele está inclinado sobre o lado esquerdo, com a cabeça virada para o leste".

É uma mulher, um homem ou uma personalidade? Impossível saber, mas Pigeade espera descobrir, através de estudo antropológico e análise de DNA, seu sexo, idade, status social e possíveis deficiências ou doenças.

"Já se passaram décadas desde que um túmulo desse tipo foi descoberto na região do Mediterrâneo", disse à AFP Franck Léandri, diretor regional de Assuntos Culturais.

As descobertas mais recentes desse tipo remontam aos anos 60 e 70, quando 179 túmulos da cultura etrusca foram encontrados a apenas 800 metros do local atual. Eles datavam entre 500 e 259 a.C.

A nova descoberta é "uma chave de compreensão, nos permitirá reinterpretar todos os túmulos encontrados há 40 anos com métodos de pesquisa modernos, é uma espécie de elo perdido em comparação com o que tínhamos antes", comemora Léandri.

No momento, a prioridade é proteger os objetos e ossos que passaram mais de 2.300 anos no subsolo. "Devemos consolidar os vestígios como eles se encontram", diz Marina Biron, conservadora-restauradora do Inrap.

Os pesquisadores têm 15 dias para correr contra o relógio para extrair riquezas históricas deste terreno antes de devolvê-lo ao seu dono e enviar as descobertas para laboratório.

Laurent Vidal "espera que a análise de cada objeto permita determinar o que eles contêm" e "distinguir os frascos de perfume dos jarros de vinho".

"É um tema europeu e mediterrâneo que compartilhamos com os italianos, ingleses, americanos e alemães", diz Dominique Garcia, presidente da Inrap, enfatizando o interesse internacional por esse tipo de descoberta.


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