brexit Parlamento britânico busca soluções alternativas para caos do Brexit

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 27/03/2019 12:24 Atualizado em:

Foto:Tolga AKMEN / AFP
Foto:Tolga AKMEN / AFP
Em busca de uma solução para o caos do Brexit, a apenas 16 dias da nova data-limite estabelecida pela UE, os deputados britânicos votam nesta quarta-feira (27) propostas alternativas ao acordo defendido pela primeira-ministra Theresa May, que já foi rejeitado duas vezes.

A Câmara dos Comuns, onde muitos parlamentares acusam May de ter perdido tempo insistindo durante meses em um texto que desagrada tanto a eurocéticos quanto a pró-europeus, acabou tomando do governo a agenda de debates para poder organizar a jornada de "votações indicativas".

O movimento parlamentar não tem precedentes no país e, para os críticos da primeira-ministra, demonstra que ela perdeu completamente o controle da situação, quando o tempo é cada vez mais curto.

A União Europeia (UE) advertiu que, sem a aprovação do acordo esta semana, o Reino Unido deverá apresentar um plano alternativo até 12 de abril, ou assumir o risco de um Brexit brutal.

"Deve-se encontrar um plano B para proteger os trabalhadores e a economia", lançou no Parlamento o líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, lembrando que os deputados já rejeitaram categoricamente, duas vezes, o texto negociado por May com Bruxelas.

"Continuamos trabalhando para garantir que daremos o Brexit ao povo britânico", foi a resposta da primeira-ministra que reconheceu, há apenas dois dias, ainda não dispor dos apoios necessários.

 
"Uma escolha muito desagradável" 
 
Em uma Câmara muito dividida, pode levar mais de um dia para conseguir identificar que opção ou opções teriam o apoio da maioria.

Isso aumenta, porém, as chances de que opte por pedir à UE um longo adiamento da data de saída, ou por negociar um Brexit mais suave que mantenha o país dentro da união aduaneira, ou no mercado único europeu.

May tem confiança em que esta perspectiva acabará convencendo os rebeldes eurocéticos de aprovar seu acordo. E, nesta quarta, a estratégia parecia começar a dar seus frutos.

"Enfrentamos uma escolha muito desagradável. Acredito que chegamos ao ponto de que é melhor ir embora legalmente do que não ir embora de jeito nenhum", disse à rádio BBC 4 o conservador Jacob Rees-Mogg, líder do principal grupo eurocético.

Para poder esperar que o texto seja aprovado em uma terceira votação - organizada talvez nesta quinta, ou sexta -, May precisava convencer pelo menos 75 legisladores de suas próprias fileiras. Vários deles pediram que ela deixe a direção do partido e do governo.

A líder conservadora deve falar em privado com todos os deputados tories às 17h (16h em Brasília), duas horas antes dos "votos indicativos".

"Está cada vez mais claro que o preço que esta primeira-ministra pagará por forçar a aprovação de seu desastroso acordo é o preço de sua saída", disse o nacionalista escocês Ian Blackford, denunciando que uma renúncia agravaria ainda mais o caos.

As alternativas que os deputados debaterão à tarde podem ir da negociação de um Brexit mais suave até a convocação de um segundo referendo. E cabe ao presidente da Câmara, o controverso John Bercow, determinar quantas e quais das 16 propostas apresentadas serão submetidas a uma complexa votação múltipla, cujo resultado será conhecido às 21h locais. 


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