venezuela Guaidó diz que presença de militares russos na Venezuela viola Constituição

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 26/03/2019 15:51 Atualizado em:

Foto:Federico PARRA / AFP
Foto:Federico PARRA / AFP
O líder da oposição Juan Guaidó, reconhecido como presidente encarregado da Venezuela por mais de 50 governos, afirmou nesta terça-feira (26) que a chegada de militares russos ao país viola a Constituição. 

"Parece que (no governo de Nicolás Maduro) eles não confiam em seus militares (...) Eles violam a Constituição novamente", declarou Guaidó em discurso ante o Parlamento de maioria oposicionista, que, segundo a lei, deve autorizar ou não qualquer missão militar estrangeira na Venezuela.

O governo russo confirmou nesta terça o envio de militares para ampliar a "cooperação" entre Moscou e Caracas, "com pleno respeito à legalidade", segundo declarou a porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Maria Zajarova.

O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, defendeu, por sua vez, essa comitiva castrense em nome do governo de Maduro. "O apoio da Rússia à Venezuela se baseia em verdades, senso comum e respeito ao Direito Internacional", escreveu no Twitter.

No último sábado, dois aviões russos pousaram no aeroporto internacional de Maiquetía, que serve a Caracas, transportando pessoal militar e equipamentos.

Segundo a imprensa local, as aeronaves transportaram cerca de cem militares liderados por um oficial de alta patente.

"Eles não trouxeram plantas (elétricas) naqueles aviões, não trouxeram técnicos (...) Não. Trouxeram soldados estrangeiros para o solo nacional", disse Guaidó.

As tensões coincidem com um apagão que paralisa grande parte da Venezuela desde segunda-feira.

"Disseram tantas vezes que a ajuda humanitária era para a entrada de forças armadas transnacionais, mas agora são eles que colocam soldados estrangeiros na Venezuela", acrescentou o opositor, referindo-se à tentativa fracassada, em 23 de fevereiro, de fazer entrar doações de alimentos e suprimentos médicos.

O presidente Maduro considerou essa iniciativa como uma "desculpa" para uma intervenção militar.


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