conflito Netanyahu alerta que Israel está pronto para fazer 'muito mais' em Gaza

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 26/03/2019 12:14 Atualizado em:

Foto: MAHMUD HAMS / AFP
Foto: MAHMUD HAMS / AFP
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou nesta terça-feira (26) que está pronto para ordenar novas ações na Faixa de Gaza controlada pelo Hamas, depois dos ataques aéreos israelenses em represália ao disparo de um foguete a partir do enclave palestino.

"Posso dizer que estamos preparados para fazer muito mais. Faremos o necessário para defender o nosso povo e o nosso Estado", declarou Netanyahu em mensagem transmitida por vídeoconferência à conferência anual do Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (AIPAC), um poderoso lobby americano pró-israelense.

Netanyahu, que se reuniu em Washington na segunda-feiram (25) com o presidente americano Donald Trump, deveria participar da conferência nesta terça, mas precisou encurtar sua visita aos Estados Unidos em razão da escalada de violência na Faixa de Gaza. 

As forças israelenses e os grupos armados palestinos prosseguiram com as hostilidades iniciadas na segunda-feira à noite até as primeiras horas desta terça, apesar de um anúncio de cessar-fogo pelo Hamas.

As hostilidades começaram depois que um foguete disparado do sul da Faixa de Casa atingiu uma casa ao norte de Tel Aviv, ferindo sete pessoas, no domingo à noite.

Em resposta, aviões, helicópteros e tanques israelenses abriram fogo, segundo os militares israelenses, contra dezenas de alvos no território sob bloqueio israelense, encravado entre Israel, Egito e o Mediterrâneo.

Os palestinos, por sua vez, dispararam dezenas de foguetes e morteiros em direção ao território israelense, constatou a AFP em Gaza.

Sete palestinos ficaram feridos nos ataques israelenses, segundo as equipes médicas. Esta nova escalada de violência em Gaza aumentou o temor de uma nova guerra entre o Hamas e Israel, que já travaram três guerras desde 2007.

As forças israelenses destruíram o escritório de Ismail Haniyeh, líder do Hamas, bem como dois edifícios usados pelos serviços de inteligência e para atividades militares do movimento islamita, segundo Israel.

À AIPAC, Netanyahu voltou a agradecer Trump. "Em nome do povo de Israel, obrigado ao presidente Trump e obrigado por todas as decisões históricas que tomou". 

- 'Amendoins' -
 
No território palestino, dizimado pelas guerras, a pobreza e o bloqueio israelense e egípcio, bem como nas localidades israelenses próximas ao enclave, as pessoas se perguntam o que irá acontecer.

"Uma guerra é possível", diz Esmat Bekheet, uma opinião compartilhada por outros moradores de Gaza. "Temo uma escalada", afirma Hazem Mattar.

Do outro lado do muro de segurança israelense, de vários metros de altura, um habitante de Sderot, onde uma casa foi danificada pelas hostilidades da noite, acusa os líderes políticos de abandonar o povo e de se preocupar apenas quando um foguete cai perto de Tel Aviv.

"Os (foguetes) Qasam são o que para eles? Nada, amendoins. 80% das pessoas vive com medo", lamenta Yossi Timsi.

O Hamas anunciou na segunda à noite uma trégua com Israel, concluída graças a mediação egípcia. Mas o Estado hebreu não confirmou o cessar das hostilidades.

As escolas permaneciam fechadas nesta terça em algumas localidades israelenses perto de Gaza. As autoridades limitaram as reuniões ppublicas. Colégios, bancos e escritórios do governo não abriram na Faixa de Gaza.

Ao embarcar de volta ao seu país, Benjamin Netanyahu não informou sobre os próximos passos, se limitando a dizer que "estamos respondendo de maneira enérgica".

Ele alertou, porém, que está disposto a ordenar uma ofensiva terrestre de alto risco no enclave.

A visita de Netanyahu aos Estados Unidos, onde se reuniu com o presidente Donald Trump, serviu para reforçar a imagem de liderança do primeiro-ministro, que está prestes a encarar eleições legislativas em 9 de abril.

Netanyahu se queixou que a imprensa estava dando mais importância à situação em Gaza do que ao anúncio de Trump, que oficializou o reconhecimento da soberania israelense sobre parte das colinas de Golã.


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