china China abre investigação após explosão química que deixou 47 mortos

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 22/03/2019 09:22 Atualizado em:

Foto: Reprodução/Redes sociais
Foto: Reprodução/Redes sociais
O presidente chinês, Xi Jinping, ordenou às autoridades, nesta sexta-feira (22), que impeçam novas catástrofes industriais após a explosão de uma fábrica de produtos químicos que deixou 47 mortos, centenas de feridos e arrasou um parque industrial.

Este foi o mais recente dos frequentes desastres deste tipo na China.

A explosão de quinta-feira em uma fábrica química da cidade de Yancheng, na província de Jiangsu (leste), é uma das piores catástrofes industriais que o país já sofreu nos últimos anos.

Xi, que faz uma visita de Estado à Itália nesta sexta-feira, pediu às equipes de resgate que façam "todos os esforços necessários" para resgatar os inúmeros empregados que continuam sob os escombros, e que se identifiquem as causas do acidente "o mais rápido possível", segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

O Conselho de Estado, o gabinete chinês, já está encarregado de investigar a explosão, informa a imprensa estatal.

Um dia depois do acidente, as imagens de drones transmitidas na sexta-feira pela televisão estatal CCTV mostravam uma paisagem apocalíptica, com prédios carbonizados e muito danificados.

Mais de 600 pessoas recebiam atendimento médico após a deflagração, disseram as autoridades locais em sua conta da rede social Weibo.

Pelo menos 90 delas estão gravemente feridas. Cerca de 4.000 pessoas foram retiradas do local da explosão. O primeiro balanço oficial divulgado ontem foi de seis mortos e 23 feridos.

Nesta sexta, as autoridades locais indicaram que houve detenções, sem dar detalhes.

A explosão aconteceu na fábrica Tianjiayi Chemical, fundada em 2007, que conta com 195 funcionários e fabrica matérias-primas, entre elas um componente muito inflamável. Em 2015 e 2017, a empresa havia sido multada por violar normas sobre águas residuais.

Temor de contaminação
Após a explosão, vários moradores disseram à AFP se preocupar com a contaminação que pode vir do acidente.

"Não temos água potável aqui", afirma Xiang, uma mulher de 60 anos. "Por que o governo não nos envia água?", questionou, contando que está há muito tempo preocupada com a segurança e com os riscos de contaminação na área.

Segundo um informe divulgado nesta sexta pelo Departamento de Ecologia e Meio Ambiente da província de Jiangsu, muitos rios próximos do local do acidente estão contaminados com produtos químicos, entre ellos clorofórmio.

A deflagração foi tão potente que, aparentemente, gerou um pequeno sismo, derrubou vários prédio da fábrica e quebrou janelas de imóveis da vizinhança.

Hoje, ainda era visível a nuvem de fumaça, enquanto os moradores das imediações começavam a retirar os escombros da frente de suas casas. "Sabíamos que um dia explodiria", afirmou Xiang, enquanto uma senhora de 57 anos, chamada Wang, lamentava. "Não tenho ninguém que me ajude aqui". Muitos tiveram de abandonar suas casas rapidamente e passar a noite em um hotel, devido à gravidade dos danos. 

Uma bola de fogo
A explosão provocou uma enorme bola de fogo de dezenas de metros de altura e uma espessa coluna de fumaça cinza, segundo imagens divulgadas nas redes sociais. As deflagrações acidentais na China são frequentes, em especial no setor industrial.

Em novembro passado, um vazamento de gás em uma fábrica química provocou uma explosão que deixou 23 mortos em Zhangjiakou (norte), uma das sedes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim 2022, situada a 200 quilômetros ao noroeste da capital chinesa.

Um dos acidentes industriais mais graves aconteceu em 2015, em Tianjin, no norte do país. Uma gigantesca explosão em um depósito de produtos químicos deixou pelo menos 165 mortos nesta cidade portuária a 120 quilômetros de Pequim.


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