Mundo UE pressiona Reino Unido a oito dias do Brexit

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 21/03/2019 20:11 Atualizado em:

Foto: Frederick Florin /AFP
Foto: Frederick Florin /AFP

A União Europeia (UE) aumentou a pressão sobre uma hostil Câmara dos Comuns no Reino Unido nesta quinta-feira, alertando que caso o acordo de divórcio não seja aprovado, eles se encaminham para um temido Brexit sem acordo, a oito dias do fatídico dia. 

"No caso de uma votação negativa do Parlamento britânico, nós iríamos em direção a um Brexit sem um acordo", alertou o presidente francês Emmanuel Macron ao iniciar uma cúpula em Bruxelas, na qual eles estão debatendo o pedido de uma extensão da primeira-ministra britânica, Theresa May.

O tempo urge. O Reino Unido deve se tornar o primeiro país a deixar o bloco em seis décadas de construção europeia, e, a poucos dias de consumar a saída, May pediu a seus 27 sócios três meses, até 30 de junho, para chegar a um acordo. 

Após sua chegada à cúpula, onde defendeu o seu pedido aos seus homólogos, a premiê britânica garantiu à imprensa que "uma breve prorrogação daria tempo ao Parlamento para tomar uma decisão final" sobre o acordo de divórcio negociado, que já foi rejeitado duas vezes.

May respondeu de forma "evasiva" ao bombardeio de perguntas de seus pares, segundo fontes diplomáticas. "Ela não esclareceu o que aconteceria se a votação [na Câmara dos Comuns] fracassasse", disse uma dessas fontes à AFP. 

Depois de ouvi-la, e após a primeira-ministra deixar a sala, os líderes começaram um debate sobre como responder à extensão proposta. A reunião se estendeu além das 20h GMT (17h de Brasília), forçando o adiamento da coletiva de imprensa programada para falar das discussões.

Seus colegas não chegaram a um acordo sobre a data a ser definida. Embora um esboço de conclusões, ao qual a AFP teve acesso, limitasse a prorrogação até 22 de maio, se o Parlamento britânico aprovar na próxima semana condições de partida acordadas, alguns líderes preferem que ocorra mais cedo. 

"Alguns países querem um mandato mais curto, eles acham que não é uma boa ideia o Brexit se dar às vésperas das eleições europeias", disse uma fonte à AFP. A França faria parte daqueles que defendem a data de 7 de maio, segundo essa fonte.

Mau caminho
A tarefa da chefe do governo britânico, no entanto, é árdua. O líder da oposição britânica, o trabalhista Jeremy Corbyn, expressou novamente sua oposição ao acordo negociado por May nesta quinta-feira. 

"Não achamos que seja o caminho certo e estamos procurando uma alternativa que possa reunir uma maioria no Parlamento", disse ele em Bruxelas, depois de se encontrar com o negociador europeu do Brexit, Michel Barnier.

No Reino Unido, os ambientes econômicos não pararam de aumentar a pressão nas últimas semanas para evitar uma saída da UE sem acordo, cenário contra o qual até mesmo os deputados falaram na semana passada em uma votação não vinculante. 

O Banco da Inglaterra (BoE) expressou sua preocupação na quinta-feira sobre o impacto econômico das incertezas em torno do Brexit, enquanto empregadores e sindicatos britânicos alertaram que o país enfrentará uma "emergência nacional" em caso de partida abrupta. 

Nos últimos dias, no entanto, surgiu um novo obstáculo na saga do Brexit. O presidente da Câmara dos Comuns, John Bercow, indicou que a "mesma proposta" de um acordo de divórcio não poderia ser colocada de volta em votação sem mudanças "substanciais".

Antecipando-se à possibilidade de Westminster não possa votar o acordo de divórcio ou o rejeite em uma nova votação nos próximos dias, a chanceler alemã, Angela Merkel, não descartou ante o Bundesrag outra reunião de mandatários "na próxima semana". 

Os europeus estão cada vez mais exasperados com a situação interna no Reino Unido, mas, como garantiu Tusk, "embora a fadiga do Brexit seja cada vez mais visível e justificada, não (podem) abandonar a busca até o último momento de uma solução positiva". 



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