Brexit Londres solicitará adiamento curto do Brexit

Por: AFP - Agence France-Presse

Publicado em: 20/03/2019 08:58 Atualizado em:

Foto: Niklas HALLE'N / AFP
Foto: Niklas HALLE'N / AFP
A primeira-ministra britânica, Theresa May, solicitará à União Europeia (UE) apenas um adiamento curto, no máximo de três meses, da data do Brexit, atualmente fixada para 29 de março - informou uma fonte de Downing Street. "A primeira-ministra não pedirá um adiamento longo", disse a fonte à imprensa. "Há motivos para dar ao Parlamento um pouco mais de tempo para chegar a um acordo sobre o caminho a seguir, mas a população deste país está esperando há quase três anos". "As pessoas estão cansadas com a incapacidade do Parlamento de tomar uma decisão e a primeira-ministra compartilha sua frustração", completou.

O governo britânico pretende, assim, solicitar uma prorrogação curta, que pode seguir até o fim de junho ou início de julho, momento em que será formado um novo Parlamento Europeu após as eleições de maio.

Na terça-feira, o porta-voz de May indicou que ela pretendia escrever a Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu sobre uma extensão do Artigo 50 do Tratado da União Europeia, em virtude do qual o país deveria sair do bloco dentro de nove dias.

De Bruxelas, um funcionário europeu de alto escalão afirmou nesta quarta de manhã que ainda não haviam recebido a carta de May. "Não recebemos uma carta da primeira-ministra May. Não recebemos a solicitação do Reino Unido sobre a prorrogação (...) de nenhuma outra forma", declarou essa mesma fonte.

As reações dos deputados não demoraram, antecipando uma possível rebelião do Parlamento contra a decisão do Executivo.

"A primeira-ministra parece estar seguindo um curso de ação que seu próprio adjunto descreveu como imprudente na semana passada. Theresa May está mais uma vez desesperada para impor uma escolha binária entre seu acordo e um Brexit sem acordo, apesar de o Parlamento descartar claramente ambas as opções na semana passada", lançou no Twitter o trabalhista Keir Starmer.

"O país não está frustrado com o Parlamento. Está frustrado com a fraqueza desta primeira-ministra, um governo apático e o desastre total que os conservadores fizeram do Brexit", acrescentou o liberal-democrata Tom Brake em um comunicado.

Os outros 27 países-membros devem concordar com a prorrogação por unanimidade. Alguns já advertiram que, para aprovar a medida, querem saber qual é o propósito da premiê.

O negociador europeu Michel Barnier alertou na terça-feira que "uma prorrogação é uma extensão da incerteza".  "Tem um custo político e econômico", recordou.

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, afirmou nesta quarta-feira que não espera uma decisão sobre o Brexit na reunião de cúpula da UE que acontecerá na quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas. 

Se Londres não conseguir o adiamento, a "opção padrão" seria uma saída "dura", pois o acordo negociado entre o governo britânico e as autoridades europeias foi rejeitado duas vezes pelo Parlamento de Westminster.


Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.