dívida Bancos públicos devem R$ 83,3 bilhões aos cofres da União

Por: Vera Batista -

Publicado em: 13/06/2019 07:37 Atualizado em:

Paulo Guedes com Pedro Guimarães: bancos públicos cometeram excessos com recursos públicos. Foto: Gustavo Raniere/ASCOM/Ministério da Economia
Paulo Guedes com Pedro Guimarães: bancos públicos cometeram excessos com recursos públicos. Foto: Gustavo Raniere/ASCOM/Ministério da Economia
O ministro da Economia, Paulo Guedes, em conjunto com o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou nesta quarta-feira (12/6) a devolução, “pela primeira vez na história do Brasil”, de R$ 3 bilhões ao Tesouro Nacional — dívida que tem um custo anual de 18%. Ao todo, os bancos públicos — Caixa, Banco do Brasil (BB), Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Banco do Nordeste e Banco da Amazônia (Basa)— devem ao governo R$ 83,3 bilhões.

Guedes fez questão de ressaltar que o governo está cumprindo promessa de campanha de “despedalar “os bancos públicos. “É importante dizer que não é jogar dinheiro para cima. O dinheiro volta para o Estado. Estamos despedalando. Com isso, estamos resgatando a dívida pública”, destacou.

O ministro aproveitou a oportunidade para, mais uma vez, criticar os métodos da gestão anterior, ao lembrar que, antes, as instituições financeiras davam créditos baratos a privilegiados, o que fez o Brasil virar “o paraíso dos rentistas e o inferno dos investidores”. “Houve muitos empréstimos da União aos bancos públicos. Cometeram excessos com recursos públicos, como BNDES e Caixa. As pedaladas levaram ao impeachment (de Dilma Rousseff). Nossa responsabilidade é devolver, dentro, inclusive, das exigências do Tribunal de Contas da União (TCU)”. Pedro Guimarães destacou que a Caixa, desde a semana passada, iniciou um processo de renegociação de dívidas de pequeno valor (a maioria até R$ 1 mil) com desconto de 82,78%.

Com esse reforço de caixa, a ideia é expandir o crédito para os mais necessitados. “Existem mais de 100 mil débitos atrasados há mais de um ano.”, afirmou Guimarães. Mesmo sendo de tendência liberal, Guedes mencionou que com esse mecanismo de devolução de recursos, os bancos públicos “vão se tornar mais fraternos”. “Com a folga de capital, a Caixa está dizendo que é o banco do povo. Um governo mais eficiente é um governo mais fraterno”, disse. O ministro adiantou, ainda, que em 90 dias o governo federal vai fazer uma campanha publicitária para esclarecer as regras para renegociação de dívidas com empréstimos para a compra da casa própria.

Antes do anúncio, Guedes se reuniu com os presidentes da Caixa, do Banco do Brasil, Rubem Novaes; e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Joaquim Levy. De acordo com o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, o débito da Caixa em Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) somam R$ 37,2 bilhões (excluídos os R$ 3 bilhões); o do BNDES, R$ 36 bilhões; o do BB, R$ 8,1 bilhões; o do Banco do Nordeste, R$ 1 bilhão; e o do Basa, R$ 1 bilhão.

Para o economista-chefe do Banco Modal Mais, Álvaro Bandeira, a medida ajuda a fugir da regra de ouro e tira pressão da dívida pública. “Quanto mais o governo despedalar, melhor. É uma sinalização importante e melhora o ambiente para a reforma da Previdência, para a reforma tributária, para as privatizações e para a economia de uma forma geral”. Na análise do economista Eduardo Velho, sócio executivo da Go Associados, embora a quantia não seja significativa diante do tamanho da dívida pública, a devolução do dinheiro aos cofres do Tesouro ajuda a equilibrar a confiança dos investidores. “É uma simbologia. Indica que o governo avança, sem reversão da pauta. As correções dos erros que prejudicaram o país estão em curso”, assinalou.

Renegociação
O valor médio de pagamento no programa de renegociação de dívida promovido pela Caixa Econômica Federal ficou entre R$ 500 e R$ 600, segundo o presidente do banco Pedro Guimarães. “Mais de 125 mil pessoas, em pouco mais de uma semana, voltaram a ter autonomia financeira”, afirmou, em referência às pessoas físicas que renegociaram a dívida com a instituição nas últimas semanas. Estão no escopo do programa de renegociação pessoas com dívidas de até R$ 2 mil. “O desconto médio (na dívida) foi de 82,78%.”


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