flexibilização Governo estuda flexibilizar o teto de gastos públicos

Por: Correio Braziliense

Publicado em: 06/06/2019 07:52 Atualizado em:

Sem acordo pelo crédito suplementar de R$ 248,9 bi, liderança do governo optou por negociar o adiamento. Foto: Marcos Oliveira/Agencia Senado
Sem acordo pelo crédito suplementar de R$ 248,9 bi, liderança do governo optou por negociar o adiamento. Foto: Marcos Oliveira/Agencia Senado
O governo estuda excluir do teto de gastos investimentos como obras públicas e compra de equipamentos, depois que a reforma da Previdência for aprovada, dizem técnicos do Ministério da Economia. A possibilidade foi negada oficialmente, na tarde desta quarta-feira (5/6), mas continua sendo discutida nos bastidores. Em nota, a pasta garantiu que a única estratégia para retomar investimentos e reequilibrar as contas públicas é a aprovação de reformas estruturantes.

O assunto, entretanto, não surgiu ontem. No mês passado, o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, havia comentado que o governo pretende enviar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) com o objetivo de reformular a regra que limita, por 20 anos, o aumento das despesas federais à inflação.

A ideia não era liberar investimentos, mas flexibilizar o teto para garantir o processo de cessão onerosa do petróleo da camada pré-sal. Para que a União possa pagar os R$ 33 bilhões à Petrobras e partilhar, com estados e municípios, a parcela que sobrará no fim do processo, precisa que o teto seja reformulado quanto a essa situação, especificamente.

A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, concorda que é preciso um ajuste para garantir a partilha, mas se preocupa com o risco de as limitações serem ampliadas mais do que o necessário. “Tem que tomar cuidado para não ir além, porque já tem analistas defendendo a flexibilização. Abre um precedente preocupante. A agenda hoje é ajuste fiscal, se começa a abrir precedente, tem um medo de reduzir o ímpeto reformista e a disposição para fazer reformas estruturais”, comentou.

Mudanças no teto de gastos já foram defendidas pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). No mês passado, ele afirmou que os limites impostos, com o baixo crescimento da economia nos últimos anos, poderiam levar o Brasil a um “colapso social”. Para ele, os problemas do país vão além da reforma da Previdência. Na lista, citou o teto de gastos. Segundo ele, “a gente vai ter que pensar em uma solução para, de alguma forma, depois da Previdência, ter capacidade de ampliar gasto no Brasil. Não tem muita saída”.

A possibilidade de que o governo flexibilize o teto de gastos mexeu, nesta quarta-feira (5/6), com os investidores, que estavam otimistas em relação à aprovação da reforma da Previdência. Os ativos também mostraram piora após o adiamento da votação do pedido de crédito suplementar para o cumprimento da regra de ouro. A Ibovespa operou em queda durante todo o dia, com baixa de -1,42%, fechando a 95.999 pontos. O dólar teve alta de +0,99%, fechando a R$ R$ 3,90.

Suspensão
Sem conseguir um acordo sobre o Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN) 4/2019, que autoriza crédito suplementar de R$ 248,9 bilhões para manutenção da máquina pública, a liderança do governo optou por negociar um adiamento da votação na Comissão Mista de Orçamento (CMO). Após reunião de líderes partidários, nesta quarta-feira (5/6) de manhã, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), presidente do colegiado, suspendeu a apreciação até a próxima terça-feira.

O Executivo só terá recursos para programas como Bolsa Família, Plano Safra, Benefício de Prestação Continuada (BPC), Renda Mensal Vitalícia (RMV) e benefícios previdenciários, como pensões e aposentadorias, se conseguir a autorização do parlamento para descumprir a regra de ouro, que impede o endividamento para pagar despesas correntes.


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